
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, decidiu arquivar um dos pedidos apresentados por parlamentares da oposição que solicitavam a declaração de impedimento e suspeição do ministro Dias Toffoli no caso que envolve o Banco Master. A solicitação questionava a atuação do magistrado à frente do inquérito em tramitação no Supremo Tribunal Federal.
O pedido foi protocolado pelos deputados Adriana Ventura (Novo-SP), Carlos Jordy (PL-RJ) e Caroline de Toni (PL-SC). Os parlamentares citaram como fundamento uma viagem de jatinho feita por ele ao lado de um advogado que atua na defesa de executivos ligados ao Banco Master.
Ao analisar a representação, Gonet afirmou que o tema já está sob apuração regular no STF, com acompanhamento da própria Procuradoria-Geral da República. “O caso a que se refere a representação já é objeto de apuração perante o Supremo Tribunal Federal, com atuação regular da Procuradoria-Geral da República. Não há, portanto, qualquer providência a ser adotada no momento”, escreveu o procurador-geral.
Apesar do arquivamento desse pedido específico, outro requerimento segue em análise na PGR. O senador Eduardo Girão (Novo-CE) apresentou solicitação mais recente pedindo a suspeição das decisões tomadas pelo ministro no âmbito do caso Master.

Internamente, o caso ampliou o desgaste do STF. Integrantes da Corte passaram a discutir o envio da investigação à primeira instância como uma “saída honrosa” para reduzir a crise de imagem e afastar alegações de parcialidade, hipótese que encontra resistência do próprio Toffoli.
As críticas ao ministro se intensificaram após a imposição de sigilo rigoroso ao inquérito, a revelação da viagem de jatinho e a divulgação de negócios que ligariam familiares do magistrado a um fundo de investimentos associado ao Master, conforme reportado pela imprensa.
A investigação central, batizada de Operação Compliance Zero, tem como principal alvo o banqueiro Daniel Vorcaro. O caso chegou ao STF após a Polícia Federal apreender documento que mencionava o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA), detentor de foro privilegiado, embora investigadores afirmem que não há indícios de envolvimento do parlamentar nas fraudes.
Mesmo diante das pressões, Toffoli sustenta que não há hipótese legal de impedimento ou suspeição. A interlocutores, o ministro tem afirmado que sua imparcialidade não está comprometida e que a condução do caso no Supremo evitaria vazamentos e prejuízos à apuração.