Justiça manda chefão do MBL tirar do ar vídeo com mentiras e ofensas ao governador do Ceará

Atualizado em 23 de janeiro de 2026 às 7:02
O pré-candidato à presidência Renan Santos (Missão) (crédito: divulgação/MBL)

A Justiça ordenou que o pré-candidato à presidência da República pelo partido Missão, Renan Antonio Ferreira dos Santos, retire de suas redes sociais um vídeo contendo ofensas e mentiras proferidas por ele contra o governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), em evento ocorrido na capital cearense no dia 3 de dezembro do ano passado. Caso Renan não obedeça à ordem em até 24 horas após ser oficialmente notificado, terá as suas redes bloqueadas e retiradas do ar.

No dia 3 de dezembro de 2025, o pré-candidato, que é um dos fundadores do MBL (Movimento Brasil Livre), afirmou, sem fornecer qualquer prova, que o governador cearense e seu partido, o PT, são parceiros da facção criminosa Comando Vermelho. Ainda disse, aos gritos para uma platéia de centenas de pessoas, que Elmano é um “filho da puta” e “vagabundo”. Afirmou ainda que, se eleito presidente, irá “meter o Elmano e sua corja na cadeia”.

Renan Santos, pré-candidato a presidência, disse que “o governador do Ceará é um vagabundo filho da puta” (crédito: reprodução)

A decisão da Justiça Federal de retirar o vídeo do ar atendeu a um pedido cautelar incluído na queixa-crime apresentada pelo governador contra o pré-candidato, pelos delitos de calúnia, injúria e difamação.

Apesar de já ter tomado decisão favorável a Elmano, a Justiça ainda irá julgar o mérito de todo o processo. Em caso de condenação pelos três crimes, Renan poderá receber uma pena de até nove anos de detenção, já que as penas impostas podem ser triplicadas pelo fato de as mentiras e ofensas terem sido dirigidas a uma autoridade pública constituída (artigo 141 do Código Penal).

De acordo com a juíza Sandra Elisabete Jorge Landim, da 11ª Vara Criminal de Fortaleza, as afirmações de Renan “se mostram demasiadamente graves, podendo causar danos irrerversíveis não só à imagem do governador, mas do próprio Estado do Ceará”.

Assim, a Justiça determinou, no dia 14 de dezembro do ano passado, que Renan e outro membro do partido Missão que também publicou o vídeo retirassem do ar o conteúdo ilícito em até 24 horas, sob pena de terem suas redes sociais bloqueadas. Veja, abaixol, trecho da decisão.

Decisão judicial determina retirada de conteúdo falso do ar, sob pena de bloqueio das redes de Renan Santos (crédito: TJ-CE)

Apesar da decisão judicial, o vídeo com os xingamentos e as acusações sem prova continuava no ar até a publicação desta reportagem. Ainda assim, as redes do pré-candidato não foram retiradas do ar.

Por que isso ocorre? É que Renan Santos ainda não se apresentou ao processo nem foi encontrado em qualquer endereço seu conhecido para ser oficialmente notificado sobre a decisão judicial.

No último dia 16, a Justiça de São Paulo publicou um mandado de intimação contra Renan Santos. Ao longo desta semana, oficiais de Justiça têm batido na porta de todos os endereços residenciais e profissionais conhecidos do fundador do MBL, mas nunca o encontram, nem ninguém que possa receber a intimação em seu nome.

A Justiça de São Paulo está atrás de Renan Santos (crédito: TJ-SP)

Esta não é a primeira vez em que Renan Santos foge de oficiais de Justiça para não responder a demandas de processos judiciais. É de 2016 a primeira reportagem veiculada na imprensa dando conta de que o fundador do MBL coleciona processos e fugas de oficiais de Justiça.

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O caso mais recente é do processo TJ-SP 0031586-75.2025.8.26.0100, em que um ex-sócio de Renan em uma empresa de Minas Gerais tenta cobrar desde 2019 dívidas não pagas pelo pré-candidato. A Justiça paulista enviou oficiais, pelo menos, seis vezes a endereços de Renan, sem nunca conseguir encontrar o réu ou qualquer pessoa que pudesse receber a citação judicial.

Então, no dia 16 de dezembro do ano passado, percebendo que Renan estava fugindo do mando judicial, a Justiça decidiu considerá-lo citado mesmo que ele jamais tenha tido a coragem de mostrar a cara ao oficial. Veja, abaixo, trecho do processo que aponta a “tentativa de ocultação” de Renan.

Renan Santos é citado à revelia pela Justiça de São Paulo (crédito: TJ-SP)

O DCM questionou Renan Santos se ele tem conhecimento da decisão judicial que ordena a retirada do vídeo sobre Elmano de Freitas das redes sociais. Perguntou também se ele pretende retirar o vídeo do ar ou ao menos se apresentrar ao processo. Até a publicação desta reportagem, não houve qualquer reposta.