
A Justiça ordenou que o pré-candidato à presidência da República pelo partido Missão, Renan Antonio Ferreira dos Santos, retire de suas redes sociais um vídeo contendo ofensas e mentiras proferidas por ele contra o governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), em evento ocorrido na capital cearense no dia 3 de dezembro do ano passado. Caso Renan não obedeça à ordem em até 24 horas após ser oficialmente notificado, terá as suas redes bloqueadas e retiradas do ar.
No dia 3 de dezembro de 2025, o pré-candidato, que é um dos fundadores do MBL (Movimento Brasil Livre), afirmou, sem fornecer qualquer prova, que o governador cearense e seu partido, o PT, são parceiros da facção criminosa Comando Vermelho. Ainda disse, aos gritos para uma platéia de centenas de pessoas, que Elmano é um “filho da puta” e “vagabundo”. Afirmou ainda que, se eleito presidente, irá “meter o Elmano e sua corja na cadeia”.

A decisão da Justiça Federal de retirar o vídeo do ar atendeu a um pedido cautelar incluído na queixa-crime apresentada pelo governador contra o pré-candidato, pelos delitos de calúnia, injúria e difamação.
Apesar de já ter tomado decisão favorável a Elmano, a Justiça ainda irá julgar o mérito de todo o processo. Em caso de condenação pelos três crimes, Renan poderá receber uma pena de até nove anos de detenção, já que as penas impostas podem ser triplicadas pelo fato de as mentiras e ofensas terem sido dirigidas a uma autoridade pública constituída (artigo 141 do Código Penal).
De acordo com a juíza Sandra Elisabete Jorge Landim, da 11ª Vara Criminal de Fortaleza, as afirmações de Renan “se mostram demasiadamente graves, podendo causar danos irrerversíveis não só à imagem do governador, mas do próprio Estado do Ceará”.
Assim, a Justiça determinou, no dia 14 de dezembro do ano passado, que Renan e outro membro do partido Missão que também publicou o vídeo retirassem do ar o conteúdo ilícito em até 24 horas, sob pena de terem suas redes sociais bloqueadas. Veja, abaixol, trecho da decisão.

Apesar da decisão judicial, o vídeo com os xingamentos e as acusações sem prova continuava no ar até a publicação desta reportagem. Ainda assim, as redes do pré-candidato não foram retiradas do ar.
Por que isso ocorre? É que Renan Santos ainda não se apresentou ao processo nem foi encontrado em qualquer endereço seu conhecido para ser oficialmente notificado sobre a decisão judicial.
No último dia 16, a Justiça de São Paulo publicou um mandado de intimação contra Renan Santos. Ao longo desta semana, oficiais de Justiça têm batido na porta de todos os endereços residenciais e profissionais conhecidos do fundador do MBL, mas nunca o encontram, nem ninguém que possa receber a intimação em seu nome.

Esta não é a primeira vez em que Renan Santos foge de oficiais de Justiça para não responder a demandas de processos judiciais. É de 2016 a primeira reportagem veiculada na imprensa dando conta de que o fundador do MBL coleciona processos e fugas de oficiais de Justiça.
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O caso mais recente é do processo TJ-SP 0031586-75.2025.8.26.0100, em que um ex-sócio de Renan em uma empresa de Minas Gerais tenta cobrar desde 2019 dívidas não pagas pelo pré-candidato. A Justiça paulista enviou oficiais, pelo menos, seis vezes a endereços de Renan, sem nunca conseguir encontrar o réu ou qualquer pessoa que pudesse receber a citação judicial.
Então, no dia 16 de dezembro do ano passado, percebendo que Renan estava fugindo do mando judicial, a Justiça decidiu considerá-lo citado mesmo que ele jamais tenha tido a coragem de mostrar a cara ao oficial. Veja, abaixo, trecho do processo que aponta a “tentativa de ocultação” de Renan.

O DCM questionou Renan Santos se ele tem conhecimento da decisão judicial que ordena a retirada do vídeo sobre Elmano de Freitas das redes sociais. Perguntou também se ele pretende retirar o vídeo do ar ou ao menos se apresentrar ao processo. Até a publicação desta reportagem, não houve qualquer reposta.