PF faz operação sobre R$ 2,6 bilhões da Rioprevidência no caso Master

Atualizado em 23 de janeiro de 2026 às 9:19
O diretor-presidente da Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes. Foto: Rioprevidência/Divulgação

A Polícia Federal deflagrou, nesta sexta-feira (23), a Operação Barco de Papel e cumpre mandados de busca e apreensão contra diretores do Rioprevidência em uma nova frente das investigações sobre fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, liquidado extrajudicialmente em novembro.

A apuração se concentra em decisões que teriam exposto recursos de aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil servidores inativos do Rio de Janeiro a riscos elevados e incompatíveis com a finalidade do fundo.

Ao todo, a PF cumpre quatro mandados de busca e apreensão contra Deivis Marcon Antunes, diretor-presidente do Rioprevidência; Eucherio Lerner Rodrigues; Pedro Pinheiro Guerra Leal; além da própria sede da autarquia, no Centro do Rio.

Um dos endereços-alvo foi a residência de Antunes, em Botafogo, onde agentes precisaram pular o portão para cumprir a ordem judicial.

Agente da PF pula portão de prédio onde mora o presidente do Rioprevidência — Foto: Reprodução/TV Globo
Agente da PF pula portão de prédio onde mora o presidente do Rioprevidência — Foto: Reprodução/TV Globo

Quem são os investigados

Deivis Marcon Antunes, graduado em direito pela PUC-PR, assumiu a presidência do Rioprevidência em julho de 2023. Sob sua gestão, o fundo aplicou R$ 2,6 bilhões em fundos ligados ao grupo do Banco Master ao longo de 2024 e 2025, aproveitando taxas consideradas mais atrativas do que as do mercado.

Eucherio Lerner Rodrigues deixou o cargo de diretor de investimentos às vésperas do início das aplicações no Master.

Já Pedro Pinheiro Guerra Leal participou do processo de credenciamento do banco junto ao Rioprevidência, assumiu o posto de diretor interino em março de 2023 — no mesmo mês em que começaram os investimentos — e foi exonerado no início de dezembro, após recomendação do Ministério Público do Rio de Janeiro, que citou a necessidade de “proteger o patrimônio previdenciário do Estado e recuperar eventuais perdas decorrentes da liquidação extrajudicial do Banco Master”.

Aplicações sob investigação

Segundo a PF, a investigação teve início em novembro do ano passado e analisa nove operações financeiras realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024. Nesse período, aproximadamente R$ 970 milhões do Rioprevidência foram aplicados em letras financeiras emitidas pelo Banco Master, sem garantias de retorno.

Os investigadores apuram se a cúpula do fundo atuou de forma temerária ao direcionar recursos previdenciários para operações de alto risco.

Em novembro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master após uma operação da PF apontar um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o controlador da instituição, Daniel Vorcaro, e outros dirigentes.

A PF investiga a possível prática de crimes contra o sistema financeiro nacional, incluindo gestão fraudulenta, desvio de recursos, indução de repartição pública em erro, fraude à fiscalização ou ao investidor, associação criminosa e corrupção passiva.

RioPrevidência — Foto: Reprodução
Rioprevidência. Foto: Reprodução

Alertas do Tribunal de Contas

O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro já havia alertado, em maio do ano passado, para “graves irregularidades” nos investimentos do Rioprevidência ligados ao Banco Master. Em outubro, o TCE voltou a criticar os aportes e impôs uma tutela provisória que proibiu novas transações do fundo com o banco.

À época, o Rioprevidência afirmou que o valor efetivamente aplicado era de cerca de R$ 960 milhões em letras financeiras emitidas entre outubro de 2023 e agosto de 2024, com vencimentos previstos para 2033 e 2034, e que negociava a substituição desses papéis por precatórios federais.

O órgão também confirmou que utilizava recursos arrecadados via descontos em folha para aplicações no mercado financeiro, com o objetivo de garantir a sustentabilidade do fundo.

PF cumpre mandado na sede do Rioprevidência — Foto: Divulgação/PF
PF cumpre mandado na sede do Rioprevidência. Foto: Divulgação/PF