Em acareação, Vorcaro diz que não pagou por carteira de R$ 6 bilhões

Atualizado em 24 de janeiro de 2026 às 20:10
O CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro. Foto: Ana Paula Paiva/Agência O Globo

Em acareação realizada no fim de 2025, o banqueiro Daniel Vorcaro afirmou à Polícia Federal que o Banco Master não desembolsou “nenhum real” para adquirir uma carteira de créditos da empresa Tirreno, avaliada em R$ 6 bilhões. A declaração contraria a versão inicial de que houve pagamento efetivo na operação.

Segundo a transcrição dos depoimentos, obtida pelo Blog da Julia Duailibi no g1, Vorcaro disse que o valor ficou registrado em uma conta reserva e que se tratava apenas de um lançamento contábil, sem saída de recursos do caixa do banco.

Questionado repetidamente pela delegada responsável pelo caso, ele acabou afirmando que o pagamento não foi realizado. No mesmo depoimento, Vorcaro declarou que o Banco Master já enfrentava crise de liquidez até 17 de novembro, período em que, segundo ele, todos os resgates foram honrados “com dificuldade e planejamento”.

O banqueiro afirmou ainda que a situação se agravou após a liquidação da instituição pelo Banco Central do Brasil. Na acareação, o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Bezerra, foi questionado sobre o motivo de o BRB não ter exercido o direito de sacar os valores devidos pela Tirreno diante dos problemas identificados. Ele respondeu que sabia que o dinheiro “não existia fisicamente” e que a retirada poderia provocar uma quebra em cadeia da Tirreno e do Banco Master.

O ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Bezerra. Foto: Divulgação

A fala sugere que o BRB manteve a operação para evitar a falência do parceiro privado, mesmo ciente da falta de liquidez imediata das garantias. Para a Polícia Federal, a conduta indica falhas graves de governança e prudência na atuação do banco público.

Segundo a investigação, o Banco Master não tinha recursos suficientes para honrar títulos com vencimento em 2025 e adquiriu créditos da Tirreno sem efetuar pagamento. Esses mesmos créditos foram posteriormente revendidos ao BRB, que desembolsou cerca de R$ 12 bilhões.

A PF aponta falha total no monitoramento dos ativos e afirma que a irregularidade foi rapidamente identificada pelo Banco Central, embora o BRB tenha levado cerca de três meses para encerrar as compras após o início da fiscalização.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.