Vorcaro detalha atuação do compliance do BRB nas carteiras do Banco Master

Atualizado em 23 de janeiro de 2026 às 21:39

 

O CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro. Foto: Ana Paula Paiva/Agência O Globo

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou em depoimento à Polícia Federal que as carteiras de crédito vendidas ao Banco de Brasília (BRB) sempre passaram pelo crivo de compliance e pelas áreas técnicas da instituição distrital. O conteúdo da oitiva, prestada em dezembro do ano passado, integra as investigações da Operação Compliance Zero, que apura a emissão de títulos supostamente falsos e a venda de carteiras avaliadas em R$ 12,2 bilhões ao banco estatal.

Preso em novembro de 2025 e posteriormente solto com uso de tornozeleira eletrônica, Vorcaro disse aos investigadores que as negociações com o BRB envolviam análises por parte do comprador e que nem todas as ofertas apresentadas pelo Master eram aceitas integralmente.

De acordo com informações do Valor, Vorcaro disse no depoimento que esse processo demonstraria que as operações não eram automáticas. O banqueiro afirmou que “sempre” retornava das reuniões com a aceitação de apenas parte das carteiras oferecidas.

O BRB anunciou em março de 2025 a intenção de adquirir 58% do capital do Banco Master, operação que acabou rejeitada pelo Banco Central em setembro do mesmo ano. Dois meses depois, o regulador decretou a liquidação extrajudicial da instituição privada. A venda das carteiras de crédito ao banco distrital é um dos principais pontos sob investigação da Polícia Federal.

Durante o depoimento, Vorcaro também foi questionado sobre a empresa Tirreno, responsável pela originação de parte dos créditos negociados.

A delegada perguntou se o Banco Master havia verificado o capital social da companhia, que ampliou seu capital em R$ 30 milhões logo após sua constituição. O banqueiro respondeu que “acreditar” que o banco não checou essa informação e afirmou: “Na prática, o banco não tinha ingerência ou se preocupava com isso”.

O ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Bezerra. Foto: Divulgação

O dono do Master explicou que, segundo a lógica adotada pela instituição, a análise econômica da empresa originadora não era considerada necessária.

“Como não se corre o risco, como eu disse, da empresa originadora, se faz uma análise basicamente de compliance da empresa, não análise econômica, porque a empresa pode ser recém-criada, pequena etc. O banco não está dando crédito para ela, está dando crédito na ponta final, que é o cliente adquiridos financeiras da Tirreno”, disse às autoridades.

De acordo com as investigações, o BRB pagou R$ 12,2 bilhões pelas carteiras, que teriam sido vendidas sem a documentação completa capaz de comprovar a existência dos títulos. O Banco Central determinou o desfazimento da operação. O contrato entre as instituições previa que o BRB assumiria integralmente o risco da inadimplência dos créditos.

Vorcaro afirmou que a cessão ocorreu em condições semelhantes a outras operações anteriores. “A gente fez uma cessão, como várias outras que a gente tinha feito, que ainda carecia da documentação completa. Mas a gente tinha responsabilidade por qualquer vício formal pela ausência de documento, que, obviamente, quando aconteceu, a gente acabou desfazendo”, declarou.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.