
A caminhada organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em suposta defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e dos condenados pelos atos golpistas de 8 de Janeiro passou a ser monitorada de perto pelas autoridades do Distrito Federal e teve seu trajeto final alterado por razões de segurança. A mobilização, que partiu de Paracatu (MG) e segue rumo a Brasília, não poderá mais terminar na Esplanada dos Ministérios, como planejavam os organizadores.
A chegada dos manifestantes à capital federal está prevista para este domingo, 25. Após reuniões com representantes do governo do Distrito Federal, ficou definido que o ato público ocorrerá na Praça do Cruzeiro, no Eixo Monumental, a cerca de 6 quilômetros da Praça dos Três Poderes. A mudança foi recomendada pela Secretaria de Segurança Pública do DF, que alegou riscos operacionais e conflitos de agenda no centro da cidade.
Segundo o secretário de Segurança Pública, Sandro Avelar, a decisão levou em conta fatores logísticos e eventos simultâneos previstos para o domingo, como uma corrida esportiva na Esplanada e a implosão de um prédio abandonado na área central de Brasília. “Tudo foi conversado para garantir a segurança de todos. Nossas equipes acompanharão o movimento desde a chegada ao DF até a Praça do Cruzeiro”, afirmou Avelar ao PlatôBR.
Ainda de acordo com o secretário, também foi vetada qualquer parada da caminhada nas imediações da Papudinha, unidade prisional onde está Bolsonaro. Na sexta-feira (23), o ministro Alexandre de Moraes proibiu manifestações e acampamentos no entorno do presídio, o que inviabilizou a intenção inicial dos organizadores.

Batizada de “Caminhada pela Liberdade”, a mobilização se transformou em um grande palco de exposição política. Ao longo do percurso, parlamentares e apoiadores disputaram selfies e espaço nas redes sociais, enquanto aliados de Nikolas Ferreira aproveitavam o trajeto para ampliar visibilidade.
Apesar do clima inicialmente descrito como festivo, o percurso evidenciou falhas de organização. No início da tarde, participantes relataram cansaço, falta de informações sobre paradas e incerteza quanto à distribuição de água e alimentos. Nem mesmo a assessoria do deputado tinha dados precisos sobre horários e logística.
O grupo só conseguiu almoçar por volta das 15h. Parte dos manifestantes permaneceu sentada no acostamento da BR-040, tentando descansar, enquanto a separação entre os participantes e a pista era feita apenas por uma corda improvisada. Seguranças e apoiadores tentavam conter o avanço do grupo, e empurrões foram registrados, inclusive envolvendo idosos e crianças.