
Publicado originalmente no Brasil de Fato
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) anunciou, nesta sexta-feira (23), à AFP, que conseguiu levar para a Faixa de Gaza cadernos, lápis, marcadores e outros utensílios de desenho, no primeiro fornecimento de material recreativo para crianças em mais de dois anos no território palestino.
“Desde 15 de janeiro, 5.168 kits de atividade recreativa foram autorizados a entrar, destinados a mais de 375 mil crianças, entre elas mil crianças com deficiência”, informa o Fundo das Nações Unidas para a Infância em um comunicado.
Esses fornecimentos ocorrem em um momento em que as autoridades israelenses impõem restrições à entrada de bens no território palestino, alegando preocupações com a segurança.
Desde o início do genocídio palestino conduzido por Israel em Gaza, em 7 de outubro de 2023, organizações humanitárias presentes no território denunciam obstáculos crescentes ao transporte de bens necessários às suas operações de ajuda, inclusive material destinado a atividades para crianças.
Questionado pela AFP, o órgão do Ministério da Defesa israelense que supervisiona as atividades civis nos territórios palestinos (Cogat) disse que, por enquanto, não pode comentar.
Crianças palestinas seguem sendo mortas por Israel
O anúncio do Unicef ocorre após os Estados Unidos anunciarem, em meados de janeiro, o lançamento da fase 2 do plano de paz do presidente estadunidense Donald Trump para Gaza, em meio a uma frágil trégua em vigor desde outubro. Há dez dias, a ONU informou que pelo menos 100 crianças foram assassinadas em ataques aéreos e atos de violência israelense na Faixa de Gaza desde o início da suposta trégua.

“Mais de 100 crianças morreram em Gaza desde o cessar-fogo do início de outubro. Isso equivale aproximadamente a uma menina ou um menino morto por dia durante a trégua”, informou James Elder, porta-voz da agência da ONU para a infância (Unicef), em uma coletiva de imprensa remota da Cidade de Gaza, no território palestino.
Segundo o porta-voz, os 60 meninos e 40 meninas morreram em decorrência de bombardeios aéreos, ataques com drones — incluindo drones suicidas —, disparos de tanques e munição real, entre outras causas. Ele indicou que o número real provavelmente é muito maior.
Um funcionário do Ministério da Saúde de Gaza, responsável pelo registro de vítimas, relatou um total de 442 mortes desde a trégua, incluindo 165 crianças.
“Sete crianças morreram de hipotermia este ano”, disse à AFP Zaher Al-Wahidi, diretor do departamento de informática do Ministério da Saúde.
Segundo um levantamento das autoridades de Gaza, mais de 70 mil pessoas foram mortas no genocídio conduzido por Israel. Quase 80% dos edifícios de Gaza foram destruídos ou danificados pelo conflito, de acordo com dados da ONU.