Ex-agente se declara culpado por estupro de imigrante em centro de detenção do ICE

Atualizado em 24 de janeiro de 2026 às 12:35
Centro de detenção do ICE no Texas, nos EUA

Um ex-agente de detenção que atuava em um centro do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE), no estado da Louisiana, nos EUA, confessou em um tribunal federal ter abusado sexualmente de uma mulher sob custódia do governo. Segundo os promotores, os crimes ocorreram enquanto ele exercia autoridade direta sobre a detida.

David Courvelle, de 56 anos, admitiu que manteve contatos sexuais repetidos com uma imigrante nicaraguense enquanto trabalhava como agente terceirizado no South Louisiana ICE Processing Center, localizado em Basile.

A vítima, identificada apenas pelas iniciais no processo, estava detida por questões migratórias e dependia integralmente da instituição e de seus funcionários.

De acordo com os registros judiciais, os abusos se estenderam por vários meses dentro do próprio centro de detenção, inclusive em um depósito de material de limpeza. A acusação afirma que Courvelle chegou a combinar com outros detentos para que atuassem como vigias durante os encontros.

Ele também teria introduzido ilegalmente presentes no local, como comida, joias, cartas e fotografias do filho da vítima.

Investigadores relatam que o ex-agente inicialmente negou as acusações, mas acabou confessando após as autoridades obterem gravações de ligações telefônicas entre ele e a detida. Courvelle pediu demissão ao saber que havia provas documentadas contra ele.

O Ministério Público é categórico ao afirmar que não houve consentimento. Pela legislação federal americana, uma pessoa sob custódia não pode consentir legalmente em qualquer relação sexual com um agente responsável por sua vigilância. O caso é tratado como abuso de poder.

Courvelle pode ser condenado a até 15 anos de prisão federal. Apesar da gravidade dos fatos, ele aguarda a sentença em liberdade, após pagar fiança de US$ 10 mil. O episódio reacende críticas ao sistema de detenção migratória dos EUA, ao expor como uma mulher sob custódia estatal foi explorada sexualmente por quem deveria zelar por sua segurança.

O agente de detenção David Courvelle