Efeito Trump: cartola admite que Alemanha pode boicotar a Copa dos EUA

Atualizado em 24 de janeiro de 2026 às 16:16
Donald Trump ao lado de Gianni Infantino

O vice-presidente da Federação Alemã de Futebol, Oke Gottlich, afirmou que a Alemanha precisa discutir seriamente a possibilidade de boicotar a Copa do Mundo de 2026, que terá os Estados Unidos como um dos países-sede. A declaração foi dada em entrevista ao jornal Hamburger Morgenpost e ocorre em meio ao agravamento das tensões políticas provocadas pelo presidente americano, Donald Trump.

Segundo Gottlich, integrante do comitê executivo da Federação Alemã de Futebol e presidente do clube St. Pauli, o cenário atual é mais grave do que os boicotes esportivos registrados durante a Guerra Fria. Ele citou os Jogos Olímpicos de Moscou, em 1980, e de Los Angeles, em 1984, como precedentes históricos, mas avaliou que a conjuntura internacional atual representa um risco maior.

O dirigente relacionou a discussão ao posicionamento do governo americano, em especial às ameaças de anexação da Groenlândia e ao endurecimento de políticas comerciais contra países europeus. Para ele, o esporte não pode se colocar como neutro diante de ações que, segundo afirmou, violam limites e valores básicos.

Gottlich também criticou a postura das entidades esportivas internacionais, ao comparar a rigidez adotada em debates políticos envolvendo a Copa do Mundo no Catar com a tolerância demonstrada agora. Ele questionou até que ponto federações e a FIFA estão dispostas a estabelecer limites diante de conflitos políticos e geopolíticos.

Oke Göttlich, vice-presidente da Federação Alemã de Futebol

O debate ganhou força no campo político alemão. Parlamentares conservadores e sociais-democratas passaram a defender publicamente a avaliação de um boicote europeu ao torneio, caso os Estados Unidos avancem em medidas consideradas hostis ao continente, como sanções comerciais ou ações territoriais envolvendo a Groenlândia.

O governo da Alemanha, por sua vez, afirmou que não pretende interferir na decisão. Em nota, a secretária de Estado do Esporte, Christiane Schenderlein, declarou que a participação ou não da seleção na Copa do Mundo é uma decisão que cabe exclusivamente à Federação Alemã de Futebol, em diálogo com a Fifa.

A Copa do Mundo de 2026 está prevista para ocorrer entre junho e julho, com jogos distribuídos entre Estados Unidos, Canadá e México. Qualquer boicote alemão teria impacto simbólico relevante, já que a seleção é tetracampeã mundial e nunca ficou fora de uma edição do torneio desde o pós-guerra.

Pesquisa divulgada pelo jornal Bild reforça a divisão da opinião pública na Alemanha. Segundo o levantamento, 47% dos alemães apoiariam um boicote à Copa do Mundo caso os Estados Unidos avancem sobre a Groenlândia, enquanto 35% se posicionariam contra a retirada da seleção do torneio.