“Mentira repugnante”: pais criticam versão do ICE de que homem morto estaria armado

Atualizado em 25 de janeiro de 2026 às 9:41
Homem morto durante ação do ICE foi identificado como Alex Pretti, um enfermeiro norte-americano de 37 anos Imagem: Reprodução / Threads

Os pais do enfermeiro Alex Pretti, morto durante uma ação do ICE em Minneapolis, negaram que o filho estivesse armado e classificaram como “mentira repugnante” a versão apresentada pelas autoridades federais. Segundo a família, Pretti, de 37 anos, segurava apenas um celular no momento em que foi alvejado e tentou proteger uma mulher durante a abordagem.

A morte ocorreu na manhã deste sábado, em meio a uma operação federal numa cidade que vive semanas de protestos contra o ICE. O chefe da Polícia de Minneapolis, Brian O’Hara, afirmou que equipes chegaram ao local após relatos de tiros e encontraram o homem com múltiplos ferimentos por arma de fogo. Ele foi levado a um hospital, onde teve a morte confirmada.

Em comunicado, o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos afirmou que a ação começou durante a busca por uma pessoa em situação migratória irregular. A versão oficial sustenta que um homem se aproximou dos agentes “com uma pistola semiautomática de 9 mm”, resistiu à abordagem e que um agente disparou “em legítima defesa”.

O presidente Donald Trump reforçou essa narrativa ao publicar, na Truth Social, a imagem de uma suposta arma atribuída à vítima. “Esta é a arma do atirador, carregada e pronta para uso”, escreveu, acrescentando que os agentes “tiveram de se proteger”. Autoridades locais, porém, afirmam que vídeos recebidos mostram agentes mascarados atirando repetidamente contra o homem.

A vítima no momento em que era abordada por agentes federais em Minneapolis

Análise de imagens feita pelo The New York Times contradiz a versão federal. Segundo o jornal, os registros indicam que Alex Pretti estava com um celular nas mãos, não uma arma, quando foi cercado e baleado. O prefeito Jacob Frey declarou que os vídeos mostram agentes atirando “até a morte” do enfermeiro.

Pretti trabalhava em unidades de terapia intensiva e havia cuidado de veteranos das Forças Armadas, segundo familiares e entidades profissionais. Em nota, a Associação Americana de Enfermeiros lamentou a morte. O caso é a terceira ocorrência fatal envolvendo o ICE em Minneapolis em menos de um mês e segue sob investigação, enquanto cresce a pressão por esclarecimentos independentes.