
Escalado pelo presidente Lula para ampliar alianças no Nordeste e atuar diretamente na reeleição do governador Elmano Freitas, o ministro da Educação, Camilo Santana, também tem concentrado esforços no Sudeste, região em que o governo enfrenta dificuldades para estruturar palanques competitivos em 2026.
Em entrevista ao Globo, ele afirmou que uma candidatura presidencial depende de palanques estaduais consistentes e de decisões alinhadas ao projeto nacional, mesmo quando isso contraria vontades individuais. No eixo Rio–São Paulo–Minas, a leitura interna é de que persistem obstáculos relevantes.
No Rio de Janeiro, aliados relatam desconfiança sobre a fidelidade política do prefeito Eduardo Paes. Em São Paulo, tanto o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, quanto o vice-presidente Geraldo Alckmin resistem a disputar cargos majoritários. Em Minas Gerais, ainda não há definição clara de candidatura.
Para Camilo Santana, a consolidação dos palanques passa por uma lógica de missão política. “É questão de missão. Não é querer ou não querer. Muitas vezes precisamos nos colocar à disposição em nome do projeto nacional, independentemente se vamos ser vitoriosos ou não. Seja para o governo ou para o Senado”, afirmou.
Ele citou ainda que Lula tentou viabilizar o nome de Rodrigo Pacheco em Minas e que o diálogo foi retomado. Mesmo após Haddad declarar publicamente que não deseja concorrer em São Paulo, Camilo sustenta que a decisão final deve considerar o conjunto do projeto político.
“O Haddad cumpriu um papel importante em 2022 e representa algo muito maior. Então não pode se dar ao luxo de querer tomar uma decisão individual. Ele faz parte de um projeto de Brasil, que é liderado pelo presidente Lula”, disse.
Na avaliação do ministro, o colega poderá rever a posição ao longo do processo. No Ceará, ele afirmou que deixará o Ministério da Educação para se dedicar mais intensamente à articulação política local. Ele avaliou que o cenário de 2026 é favorável tanto para Lula quanto para Elmano.
“Nosso projeto tem se fortalecido, tanto que Fortaleza foi a única capital onde o PT elegeu o prefeito. Elmano faz um grande trabalho e todos os indicadores do Ceará têm avançado”, declarou, reconhecendo que a segurança pública segue como desafio central.

Questionado sobre uma eventual candidatura de Ciro Gomes ao governo estadual, Camilo afirmou que não cabe escolher adversários, mas reconheceu que hoje ele aparece como o nome mais competitivo da oposição. “A oposição se aliou ao bolsonarismo. Eles não têm projeto, é o ódio. Não considero ameaça, mas claro que hoje o adversário mais forte contra Elmano é ele”, afirmou.
Sobre seu próprio futuro eleitoral, Camilo descartou a possibilidade de substituição do atual governador. “O candidato é Elmano”, disse, acrescentando que seu papel tende a ser o de articulador regional, inclusive no apoio à campanha presidencial no Nordeste, aproveitando a interlocução com governadores e senadores da região.
No plano nacional, o ministro também comentou o avanço da direita no Nordeste e a disputa por vagas no Senado. Para ele, apesar da maior organização da oposição, o PT segue forte na região.
“A avaliação que se faz no Nordeste é que o PT continua muito forte. Não tenho dúvida que o Lula vai ficar disparado à frente em todos os estados nordestinos”, afirmou, destacando a importância de alianças amplas para garantir governabilidade.
Camilo defendeu ainda que o PT priorize a reeleição presidencial, mesmo que isso implique abrir mão da cabeça de chapa em estados estratégicos. “Claro. A prioridade é a reeleição do presidente Lula. Onde for possível construir alianças para fortalecer isso, o PT vai trabalhar nesse sentido”, disse, ressaltando que a formação de bancadas no Senado será decisiva no próximo ciclo.
Ao tratar do cenário presidencial, o ministro minimizou a força de eventuais adversários ligados ao bolsonarismo, como Tarcísio de Freitas, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema. “A força não está simplesmente no Tarcísio, está no bolsonarismo. Venha quem venha, Lula ganha essa eleição bem”, afirmou.
Por fim, o responsável pela pasta da Educação defendeu que o governo e o PT adotem uma postura mais dura no enfrentamento ao crime organizado, tema que deve ser explorado pela oposição. Ele citou a PEC da Segurança e o projeto de lei antifacção como pilares dessa estratégia.
“Nós, do PT, precisamos ser enfáticos e combater veementemente o crime organizado no Brasil, custe a quem custar”, disse, defendendo o endurecimento de penas para organizações criminosas e a coordenação nacional das políticas de segurança.