Camilo pressiona Haddad e diz que decisão sobre candidatura não pode ser individual

Atualizado em 25 de janeiro de 2026 às 13:31
O ministro da Educação, Camilo Santana. Foto: Divulgação

Escalado pelo presidente Lula para ampliar alianças no Nordeste e atuar diretamente na reeleição do governador Elmano Freitas, o ministro da Educação, Camilo Santana, também tem concentrado esforços no Sudeste, região em que o governo enfrenta dificuldades para estruturar palanques competitivos em 2026.

Em entrevista ao Globo, ele afirmou que uma candidatura presidencial depende de palanques estaduais consistentes e de decisões alinhadas ao projeto nacional, mesmo quando isso contraria vontades individuais. No eixo Rio–São Paulo–Minas, a leitura interna é de que persistem obstáculos relevantes.

No Rio de Janeiro, aliados relatam desconfiança sobre a fidelidade política do prefeito Eduardo Paes. Em São Paulo, tanto o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, quanto o vice-presidente Geraldo Alckmin resistem a disputar cargos majoritários. Em Minas Gerais, ainda não há definição clara de candidatura.

Para Camilo Santana, a consolidação dos palanques passa por uma lógica de missão política. “É questão de missão. Não é querer ou não querer. Muitas vezes precisamos nos colocar à disposição em nome do projeto nacional, independentemente se vamos ser vitoriosos ou não. Seja para o governo ou para o Senado”, afirmou.

Ele citou ainda que Lula tentou viabilizar o nome de Rodrigo Pacheco em Minas e que o diálogo foi retomado. Mesmo após Haddad declarar publicamente que não deseja concorrer em São Paulo, Camilo sustenta que a decisão final deve considerar o conjunto do projeto político.

“O Haddad cumpriu um papel importante em 2022 e representa algo muito maior. Então não pode se dar ao luxo de querer tomar uma decisão individual. Ele faz parte de um projeto de Brasil, que é liderado pelo presidente Lula”, disse.

Na avaliação do ministro, o colega poderá rever a posição ao longo do processo. No Ceará, ele afirmou que deixará o Ministério da Educação para se dedicar mais intensamente à articulação política local. Ele avaliou que o cenário de 2026 é favorável tanto para Lula quanto para Elmano.

“Nosso projeto tem se fortalecido, tanto que Fortaleza foi a única capital onde o PT elegeu o prefeito. Elmano faz um grande trabalho e todos os indicadores do Ceará têm avançado”, declarou, reconhecendo que a segurança pública segue como desafio central.

Lula e Haddad. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Questionado sobre uma eventual candidatura de Ciro Gomes ao governo estadual, Camilo afirmou que não cabe escolher adversários, mas reconheceu que hoje ele aparece como o nome mais competitivo da oposição. “A oposição se aliou ao bolsonarismo. Eles não têm projeto, é o ódio. Não considero ameaça, mas claro que hoje o adversário mais forte contra Elmano é ele”, afirmou.

Sobre seu próprio futuro eleitoral, Camilo descartou a possibilidade de substituição do atual governador. “O candidato é Elmano”, disse, acrescentando que seu papel tende a ser o de articulador regional, inclusive no apoio à campanha presidencial no Nordeste, aproveitando a interlocução com governadores e senadores da região.

No plano nacional, o ministro também comentou o avanço da direita no Nordeste e a disputa por vagas no Senado. Para ele, apesar da maior organização da oposição, o PT segue forte na região.

“A avaliação que se faz no Nordeste é que o PT continua muito forte. Não tenho dúvida que o Lula vai ficar disparado à frente em todos os estados nordestinos”, afirmou, destacando a importância de alianças amplas para garantir governabilidade.

Camilo defendeu ainda que o PT priorize a reeleição presidencial, mesmo que isso implique abrir mão da cabeça de chapa em estados estratégicos. “Claro. A prioridade é a reeleição do presidente Lula. Onde for possível construir alianças para fortalecer isso, o PT vai trabalhar nesse sentido”, disse, ressaltando que a formação de bancadas no Senado será decisiva no próximo ciclo.

Ao tratar do cenário presidencial, o ministro minimizou a força de eventuais adversários ligados ao bolsonarismo, como Tarcísio de Freitas, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema. “A força não está simplesmente no Tarcísio, está no bolsonarismo. Venha quem venha, Lula ganha essa eleição bem”, afirmou.

Por fim, o responsável pela pasta da Educação defendeu que o governo e o PT adotem uma postura mais dura no enfrentamento ao crime organizado, tema que deve ser explorado pela oposição. Ele citou a PEC da Segurança e o projeto de lei antifacção como pilares dessa estratégia.

“Nós, do PT, precisamos ser enfáticos e combater veementemente o crime organizado no Brasil, custe a quem custar”, disse, defendendo o endurecimento de penas para organizações criminosas e a coordenação nacional das políticas de segurança.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 27 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.