Sob chuva forte, raio atinge ato de Nikolas em Brasília e deixa pelo menos 34 feridos

Atualizado em 25 de janeiro de 2026 às 14:25
Manifestantes da marcha golpista de Nikolas atingidos pelo raio sendo socorridos pelo SAMU. Reprodução

Um raio atingiu um poste de iluminação durante a manifestação organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira, na Praça do Cruzeiro, em Brasília, neste domingo (25), deixando 34 pessoas feridas, segundo o Corpo de Bombeiros.

O ato ocorria sob chuva intensa quando a descarga atmosférica provocou choques elétricos em participantes que estavam próximos à estrutura atingida. Segundo relatos de equipes de resgate, várias vítimas sofreram descargas elétricas e precisaram de atendimento imediato.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e enviou diversas ambulâncias ao local. Macas chegaram em sequência, enquanto bombeiros relataram dificuldade para acomodar todos os feridos, alguns deles desacordados.

Diante do risco, a organização do ato determinou a retirada imediata do sistema de som e de guindastes que sustentavam bandeiras do Brasil. A medida foi adotada como forma de reduzir novos acidentes durante o temporal que atingia a região central da capital federal no momento da manifestação.

A concentração fazia parte da chamada “caminhada” convocada por Nikolas Ferreira, anunciada pelo parlamentar no dia 19 de janeiro. A iniciativa foi apresentada como um protesto contra decisões judiciais e políticas que ele considera injustas, incluindo a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e de envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023.

O deputado classificou a mobilização como um gesto simbólico para “trazer luz” às pautas defendidas pelo grupo e, segundo ele, estimular novamente o engajamento político de seus apoiadores. A marcha teve início em Paracatu, no noroeste de Minas Gerais, e seguiu em direção a Brasília ao longo de cerca de 240 quilômetros.

A caminhada chegou ao sétimo dia neste fim de semana em meio a alertas da Polícia Rodoviária Federal. A corporação informou ter notificado formalmente o gabinete do deputado sobre riscos operacionais identificados na BR-040, rodovia utilizada durante o trajeto, destacando a responsabilidade do parlamentar como organizador do ato.

Em nota, a PRF afirmou que o ofício enviado “destaca a necessidade de adoção de ações para mitigação de riscos à segurança”. A assessoria de Nikolas respondeu que recebeu um e-mail no qual o órgão “se colocou à disposição para atuar, caso necessário, com foco na segurança dos participantes”, e declarou manter contato com autoridades do Distrito Federal.

Além dos riscos elétricos e do tráfego rodoviário, participantes relataram uma série de ferimentos ao longo da caminhada. Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram pés inchados, bolhas, cortes e pessoas recebendo atendimento improvisado. O próprio Nikolas exibiu lesões nos pés após mais de 140 quilômetros percorridos.

Outros parlamentares que aderiram à marcha também relataram problemas físicos. O vereador paulistano Fernando Holiday afirmou ter lesionado o joelho e procurado atendimento médico. Deputados como Gustavo Gayer e André Fernandes relataram ferimentos nos pés e a necessidade de interromper temporariamente o percurso.

A mobilização também virou alvo de críticas e ironias de parlamentares alinhados ao presidente Lula. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, classificou a marcha como uma encenação e afirmou que pediu à PRF a interrupção do ato. Outros políticos da base governista usaram as redes sociais para criticar o protesto e seus objetivos.

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Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 27 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.