Cientista que estuda longevidade revela hábito mais eficaz para envelhecer bem

Atualizado em 25 de janeiro de 2026 às 19:17
Idosos praticando atividade física. Imagem: reprodução

Após anos estudando por que algumas pessoas envelhecem com saúde excepcional, o cardiologista Eric Topol, de 70 anos, passou a aplicar em sua própria rotina as conclusões de suas pesquisas sobre os chamados “superidosos”. Fundador do Scripps Research Translational Institute, em San Diego, ele investigou durante mais de seis anos o DNA de cerca de 1.400 pessoas com mais de 80 anos e sem doenças crônicas graves. Com informações do Estadão.

O estudo mostrou que esses indivíduos tinham poucas semelhanças genéticas, indicando que o DNA não explicava, sozinho, o envelhecimento saudável. A resposta, segundo Topol, está no estilo de vida. As conclusões estão reunidas no livro Super Agers: An Evidence-based Approach to Longevity, no qual ele afirma que mudanças como boa alimentação, sono adequado —cerca de sete horas— e, principalmente, exercícios físicos podem aumentar significativamente as chances de um envelhecimento saudável.

“O que está no topo é o exercício. É a única intervenção que demonstrou algum efeito na desaceleração do relógio de envelhecimento do corpo”, afirma. Embora dieta e relações sociais sejam importantes, Topol diz que nenhuma outra estratégia tem evidências tão consistentes quanto a atividade física.

Idosos fazendo atividade física. Imagem: reprodução

Durante décadas, ele próprio priorizou exercícios aeróbicos, como caminhada, ciclismo e natação, por pelo menos 30 minutos na maioria dos dias. A mudança veio após analisar estudos sobre treinamento de força. “Quando vi todas as evidências, fiquei totalmente convencido”, diz. Segundo ele, a força muscular e a força de preensão têm correlação direta com o envelhecimento saudável, além de benefícios para equilíbrio e postura.

Hoje, Topol treina principalmente em casa, com exercícios no solo e faixas de resistência, e mantém os aeróbicos cerca de quatro vezes por semana. Para ele, nunca é tarde para começar. “Essa ideia de que não conseguimos ganhar músculos ou força com a idade é uma bobagem”, afirma. O objetivo, segundo o cardiologista, não é apenas viver mais, mas ampliar o período de vida saudável, o que estudos indicam poder render de sete a dez anos a mais sem doenças relacionadas à idade.

Sofia Carnavalli
Sofia Carnavalli é jornalista formada pela Cásper Líbero e colaboradora do DCM desde 2024.