Sobretudo de comandante do ICE é comparado a uniforme nazista

Atualizado em 25 de janeiro de 2026 às 21:36
O comandante da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA, Gregory Bovino, ao centro, está ladeado por outros agentes federais durante um protesto contra o ICE em Minneapolis. Imagem: reprodução

Desde que agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) passaram a atuar de forma mais visível nas cidades americanas, seus uniformes se tornaram alvo de controvérsia no debate sobre as políticas de imigração e deportação do governo Donald Trump. O uso de máscaras faciais por agentes — vistas por críticos como forma de ocultação e por defensores como proteção — deu início ao conflito simbólico. Com o agravamento dos protestos em Minneapolis, outro elemento ganhou destaque: o sobretudo usado por Gregory Bovino, responsável por operações da Patrulha da Fronteira. Com informações do Globo.

O longo casaco verde-oliva, de abotoamento duplo, lapelas largas, botões metálicos e insígnias nos braços, passou a ser associado, nas redes sociais, à militarização e ao autoritarismo. Embora o sobretudo tenha sido usado por oficiais de diferentes exércitos nas Primeira e Segunda Guerras Mundiais — incluindo o general americano Douglas MacArthur —, ele é fortemente ligado ao Exército alemão sob Adolf Hitler, o que levou a comparações com a Gestapo.

O debate ganhou força no fim do ano passado, quando o Departamento de Segurança Interna divulgou um vídeo com Bovino usando o casaco ao som de “Viva la Vida”, do Coldplay, e a legenda “Não Seremos Parados”. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, reagiu no X: “Se você acha que os apelos ao fascismo e ao autoritarismo são um exagero, pare e assista a este vídeo”.

Sede do ICE, alfândega dos Estados Unidos. Imagem: reprodução

A secretária-adjunta de assuntos públicos do Departamento de Segurança Interna, Tricia McLaughlin, afirmou que o casaco faz parte do “uniforme de inverno padrão da Patrulha da Fronteira” e que Bovino o utiliza “desde 1999”. No entanto, um documento de 2025 com os padrões oficiais de uniforme da corporação não inclui o sobretudo.

Para o historiador Harold James, da Universidade de Princeton, o problema não é a peça em si, mas o contexto. “Usar o sobretudo para confrontar multidões com apoiadores armados (…) evoca inconfundível a imagem de ditadores e da década de 1930”, escreveu. Apesar das críticas e dos pedidos oficiais para moderar a linguagem, Bovino continua a usar o casaco, alinhando-se à estratégia da administração Trump de utilizar o vestuário como ferramenta política e simbólica.

Sofia Carnavalli
Sofia Carnavalli é jornalista formada pela Cásper Líbero e colaboradora do DCM desde 2024.