Ação internacional com participação do Brasil acusa Meta de violar privacidade no WhatsApp

Atualizado em 25 de janeiro de 2026 às 22:05
Logo da Meta. Foto: Cheng Xin/Getty Images

Um grupo internacional formado por autores da Austrália, Brasil, Índia, México e África do Sul entrou com uma ação judicial contra a Meta, empresa controlada por Mark Zuckerberg, acusando a companhia de fazer afirmações enganosas sobre a privacidade e a segurança do WhatsApp. O processo foi protocolado na última sexta-feira no Tribunal Distrital dos Estados Unidos, em São Francisco. Com informações do Globo.

Segundo a ação, a Meta transformou a criptografia “de ponta a ponta” em um dos principais argumentos de segurança do aplicativo, ao afirmar que apenas remetente e destinatário teriam acesso ao conteúdo das mensagens. O próprio WhatsApp informa aos usuários que “somente as pessoas nesta conversa podem ler, ouvir ou compartilhar” as comunicações, com a criptografia ativada por padrão.

Os autores, no entanto, alegam que essas declarações não correspondem à realidade. De acordo com o processo, a Meta e o WhatsApp “armazenam, analisam e podem acessar virtualmente todas as comunicações supostamente ‘privadas’” dos usuários, o que, segundo a acusação, caracterizaria uma fraude contra bilhões de pessoas em todo o mundo.

Os aplicativos do Instagram, Facebook e WhatsApp em celular. Foto: Divulgação/Meta

A ação também sustenta que funcionários da empresa teriam acesso ao conteúdo das mensagens e afirma que essas informações vieram à tona a partir de “denunciantes”, sem identificar quem seriam essas fontes. Os advogados pedem que o caso seja reconhecido como uma ação coletiva, o que permitiria a inclusão de usuários de diferentes países.

Procurada, a Meta negou as acusações e classificou o processo como “frívolo”. Em nota, o porta-voz Andy Stone afirmou que “qualquer alegação de que as mensagens do WhatsApp não são criptografadas é categoricamente falsa e absurda” e destacou que o aplicativo utiliza criptografia de ponta a ponta com o protocolo Signal “há uma década”. A empresa informou ainda que buscará sanções contra os advogados dos autores.

Sofia Carnavalli
Sofia Carnavalli é jornalista formada pela Cásper Líbero e colaboradora do DCM desde 2024.