Quem é o agente federal que matou o enfermeiro Alex Pretti em Minneapolis

Atualizado em 25 de janeiro de 2026 às 22:33
O agente de balaclava preta e jaqueta verde (dir.) aponta a arma para Pretti

O agente federal que matou Alex Pretti durante uma operação anti- migração em Minneapolis no sábado (24) ainda não foi identificado publicamente. As autoridades divulgaram apenas informações limitadas sobre o policial, enquanto múltiplas investigações avançam para apurar as circunstâncias do caso.

Pretti, de 37 anos, era enfermeiro de UTI e cidadão americano. Ele foi morto com dez tiros por um agente da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos durante uma ação federal no sul de Minneapolis. A morte provocou protestos em várias cidades do país e ampliou o debate sobre a atuação e a responsabilização de agentes federais de imigração em áreas urbanas.

O Departamento de Segurança Interna dos EUA confirmou que o disparo partiu de um agente da Patrulha de Fronteira, mas não informou seu nome nem a unidade à qual ele pertence. Segundo o governo federal, o agente tem oito anos de carreira na corporação. Nenhum outro dado biográfico, histórico disciplinar ou registro de uso anterior da força foi tornado público.

De acordo com a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, o agente efetuou “disparos defensivos” após Pretti supostamente se aproximar dos policiais armado e resistir de forma violenta a uma tentativa de desarmamento.

O departamento não esclareceu se o agente acreditava que Pretti estava empunhando a arma no momento em que os tiros foram disparados.

Imagens gravadas por testemunhas, analisadas por veículos de imprensa, desmentem a versão oficial. Os vídeos mostram Pretti filmando a ação dos agentes com o celular, intervindo após uma mulher ser empurrada ao chão e, em seguida, sendo atingido por spray de pimenta e imobilizado por vários policiais antes dos disparos.

Nos instantes imediatamente anteriores aos tiros, ele aparece com o telefone na mão, e nenhuma gravação mostra claramente Pretti apontando uma arma naquele momento.

Um dos vídeos sugere que um agente retira uma arma do corpo de Pretti durante a confusão, segundos antes de outro policial atirar. O Departamento de Segurança Interna não comentou diretamente essa interpretação das imagens.

Diante dessas divergências, autoridades estaduais e locais afirmaram que não aceitam automaticamente a narrativa apresentada pelo governo federal. O procurador-geral de Minnesota, o promotor do condado de Hennepin e o Escritório de Apreensão Criminal do estado anunciaram que vão conduzir investigações próprias para avaliar se houve crime por parte do agente envolvido.

Um juiz federal determinou que o governo Trump e o Departamento de Segurança Interna preservem todas as provas relacionadas ao caso, após o estado alegar que agentes federais teriam inicialmente impedido investigadores locais de acessar o local do tiroteio e evidências físicas. Embora investigações desse tipo normalmente envolvam o FBI e a corregedoria interna do DHS, autoridades de Minnesota disseram não confiar apenas na apuração federal e defenderam uma investigação independente conduzida pelo estado.

A morte de Pretti foi o segundo caso fatal envolvendo agentes federais de imigração em Minneapolis neste mês. No dia 7 de janeiro, Renée Nicole Good também morreu após ser baleada por um agente do ICE durante outra operação na cidade.

Kiko Nogueira
Diretor do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.