
O presidente Lula (PT) tem demonstrado irritação com a atuação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), na condução do inquérito que investiga o Banco Master e chegou a dizer a aliados que o magistrado deveria deixar a Corte diante do desgaste institucional provocado pelo caso, conforme informações da Folha de S.Paulo.
Lula acompanha de perto o andamento da investigação e as repercussões envolvendo Toffoli. Nos últimos dias, segundo relatos, o presidente deixou claro que não pretende sair em defesa do ministro diante das críticas que vêm sendo feitas à sua atuação.
Em conversas reservadas com ao menos três auxiliares, Lula fez comentários considerados duros e chegou a afirmar que Toffoli deveria renunciar ao cargo ou se aposentar.
Apesar dos desabafos, aliados do presidente avaliam que Lula dificilmente fará um pedido formal para que Toffoli se afaste do tribunal ou deixe a relatoria do caso. Ainda assim, o presidente indicou que pretende chamar o ministro para uma nova conversa, retomando um diálogo iniciado no fim do ano passado.
Desgaste no STF e temor de abafamento
O principal incômodo do presidente, segundo interlocutores, é o desgaste institucional imposto ao Supremo, após reportagens revelarem ligações de familiares de Toffoli com fundos associados à estrutura financeira do Banco Master. Lula também teria reclamado do nível elevado de sigilo imposto ao processo e manifestado receio de que a investigação seja esvaziada.
A auxiliares, o presidente tem defendido a continuidade das apurações e afirmado que o governo precisa demonstrar que combate fraudes sem poupar poderosos.
“Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado enquanto tem um cidadão do Banco Master que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões”, afirmou Lula na última sexta-feira (23).
Segundo aliados, o petista avalia ainda que o caso pode atingir políticos da oposição e tende a avançar, mesmo que produza efeitos colaterais também entre governistas.

Conversas com Toffoli e aumento da pressão
Desde o fim do ano passado, o presidente monitora o inquérito e teria ficado intrigado com a decisão de Toffoli de colocar sob sigilo um pedido da defesa de Daniel Vorcaro, dono do Master, para levar o caso ao STF. Segundo um aliado, Lula passou a desconfiar de que o processo poderia terminar em uma “grande pizza”.
Em dezembro, o presidente convidou Toffoli para um almoço no Palácio do Planalto, com a presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Na ocasião, Lula afirmou que tudo o que fosse apurado deveria ir “às últimas consequências” e disse que a relatoria seria uma oportunidade para Toffoli “reescrever sua biografia”.
Após novas revelações, a pressão sobre Toffoli aumentou. As críticas envolvem o regime de sigilo imposto ao caso, uma viagem de jatinho ao lado de um advogado ligado ao processo e negócios que conectam familiares do ministro a um fundo associado ao Master.
A interlocutores, Toffoli afirmou que não pretende abrir mão da relatoria, por não ver elementos que comprometam sua imparcialidade. Segundo ele, nem a viagem nem a relação empresarial envolvendo seus irmãos configurariam impedimento.
O ministro também indicou que, historicamente, o STF só reconhece impedimentos ou suspeições quando há autodeclaração do próprio magistrado.