
A nova Estratégia de Defesa Nacional dos Estados Unidos, divulgada na sexta (23), prevê “ação decisiva” contra aliados regionais que não atuarem de acordo com os interesses do governo de Donald Trump. O documento cita como exemplo de punição o sequestro do venezuelano Nicolás Maduro.
O texto, com 34 páginas, é assinado pelo secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, e serve como instrumento de execução da Estratégia de Segurança Nacional publicada em dezembro. Assim como o documento anterior, a nova diretriz assume um país mais isolado diplomaticamente, mas disposto a empregar força militar para garantir seus interesses estratégicos.
Entre as prioridades declaradas estão o controle da Groenlândia e do canal do Panamá, a redução do apoio militar a aliados europeus e asiáticos e a contenção da China sem confronto armado direto. O foco recai novamente sobre a América Latina, descrita como área de influência direta dos Estados Unidos.
A ameaça aos países da região aparece de forma explícita. “Vamos nos engajar em boa fé com nossos vizinhos e parceiros, mas vamos garantir que eles respeitem e façam a parte deles para defender nossos interesses comuns. Onde eles não o fizerem, nós estaremos prontos para tomar ação decisiva e focada”, afirma o documento.

A estratégia resgata o chamado Corolário Trump à Doutrina Monroe, referência à política externa do século XIX que evoluiu para justificativa de intervenções militares. “As forças dos EUA estão prontas para aplicar [o corolário Trump] com rapidez, força e precisão, como o mundo viu na Operação Determinação Absoluta”, diz o texto, citando o ataque à Venezuela em janeiro.
O documento ainda diz à União Europeia que a Rússia, governada por Vladimir Putin, é um problema prioritário para os Estados Unidos.
Em relação à China, o tom é mais ambíguo. “Nosso objetivo não é dominar a China, nem estrangulá-la ou humilhá-la”, afirma o texto, acrescentando que Washington busca impedir que qualquer país “seja capaz de nos dominar”.