Chefe da repressão a imigrantes nos EUA, Greg Bovino não será afastado, diz governo Trump

Atualizado em 26 de janeiro de 2026 às 23:06
Gregory Bovino

O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos afirmou nesta segunda-feira que o comandante da Patrulha de Fronteira Greg Bovino não foi afastado de suas funções, contrariando uma reportagem publicada pela revista The Atlantic.

A negativa veio poucas horas depois de o veículo informar que Bovino teria sido removido do cargo de “comandante em missão nacional” após a repercussão das mortes de Alex Pretti e Renee Good, em Minnesota.

A porta-voz do Department of Homeland Security, Tricia McLaughlin, afirmou nas redes sociais que Bovino “não foi dispensado de suas funções” e segue como “parte fundamental da equipe do presidente”.

Segundo ela, o comandante continua integrado às operações federais. Já o The Atlantic havia informado que Bovino retornaria ao seu antigo posto em El Centro, na Califórnia, de onde poderia se aposentar em breve.

Informações paralelas apontam para mudanças no comando local. O The Wall Street Journal relatou que Bovino deve deixar Minnesota junto com parte dos agentes sob seu comando.

Mais cedo, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que Bovino continuaria liderando a Patrulha de Fronteira em nível nacional, mas indicou que o “czar da fronteira” Tom Homan passará a ser o principal interlocutor do governo em Minneapolis.

O caso ocorre em meio à pressão por mudanças na atuação federal no estado. O presidente Donald Trump afirmou ter tido conversas “muito boas” com o governador de Minnesota, Tim Walz, e com o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, sinalizando possível redução da tensão.

O gabinete de Walz disse que o governador defendeu investigações independentes sobre as mortes e a diminuição do número de agentes federais no estado.

Bovino, um tipo que gosta de se exibir com um casaco da SS nazista, esteve em Minnesota nas últimas semanas e participou diretamente das operações federais. Ele foi filmado confrontando manifestantes e usando gás lacrimogêneo. Também fez acusações públicas contra Alex Pretti, alegando que o enfermeiro estava armado no momento em que foi morto.

Vídeos e depoimentos contradizem essa versão, indicando que Pretti tinha porte legal de arma, mas não a sacou, e que foi imobilizado após tentar proteger uma mulher empurrada por agentes.

A controvérsia levou o DHS a suspender o acesso de Bovino às suas redes sociais, após ele atacar parlamentares online. As investigações sobre as mortes seguem em curso, com autoridades estaduais e federais analisando o uso da força por agentes de imigração.

Davi Nogueira
Davi tem 25 anos, é editor e repórter do DCM, pesquisador do Datafolha e bacharel em sociologia pela FESPSP, além de guitarrista nas horas vagas.