Lewandowski admite ter atuado como consultor jurídico do Banco Master

Atualizado em 27 de janeiro de 2026 às 6:50
O ex-ministro Ricardo Lewandowski. Foto: Reprodução

O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski afirmou que prestou serviços de consultoria jurídica ao Banco Master após deixar a Corte, em abril de 2023. Segundo ele, a atuação ocorreu no período em que retomou as atividades de advocacia, antes de assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública no governo Lula.

Em nota, Lewandowski informou que encerrou completamente sua atuação profissional ao ser convidado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para integrar o governo, em janeiro de 2024.

“O ministro Ricardo Lewandowski, depois de deixar o Supremo Tribunal Federal (STF), em abril de 2023, retornou às atividades de advocacia. Além de vários outros clientes, prestou serviços de consultoria jurídica ao Banco Master. Ao ser convidado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública, em janeiro de 2024, Lewandowski retirou-se de seu escritório de advocacia e suspendeu seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), deixando de atuar em todos os casos”, diz o comunicado.

O esclarecimento veio após reportagem do Metrópoles apontar que o Banco Master, ainda sob o comando de Daniel Vorcaro, teria pago cerca de R$ 5 milhões ao escritório ligado ao ex-ministro no período em que Lewandowski comandava o Ministério da Justiça.

O nome de Lewandowski não consta atualmente no Cadastro Nacional dos Advogados da OAB, mas familiares seguem registrados como sócios do escritório Lewandowski Advocacia, que teve o grupo de Vorcaro como cliente.

A indicação para o Master foi feita pelo líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Segundo sua assessoria, o senador foi procurado para indicar um jurista e citou Ricardo Lewandowski, que havia deixado recentemente o STF.

“Seguramente, o banco achou a sugestão adequada e o contratou”, diz o texto.

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado, após enfrentar uma severa crise de liquidez. Paralelamente, a Polícia Federal conduz um inquérito em tramitação no STF que apura suspeitas de fraudes em carteiras de crédito e em outras operações envolvendo fundos de investimento.

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Fachada do Banco Master. Foto: Reprodução