Candidatura de Carlos Bolsonaro provoca ruptura entre Centrão e PL em SC

Atualizado em 27 de janeiro de 2026 às 12:22
Carlos Bolsonaro. Foto: Sergio Lima/AFP

O racha provocado pela entrada do ex-vereador Carlos Bolsonaro na disputa ao Senado por Santa Catarina levou partidos do Centrão a se unirem contra o PL no estado. A decisão do governador Jorginho Mello (PL) foi interpretada por aliados como uma quebra de acordos políticos firmados anteriormente para a composição da chapa de 2026.

Segundo lideranças locais ouvidas pela coluna de Letícia Casado no UOL, o governador havia acertado com o MDB a indicação do vice e com o Progressistas uma das vagas ao Senado. Esse desenho foi alterado na semana passada, quando anunciou Adriano Silva (Novo) como candidato a vice.

O rearranjo ocorreu após a confirmação de Carlos na corrida ao Senado, o que passou a concentrar três nomes fortes para apenas duas cadeiras. Além do filho do ex-presidente, disputam espaço a deputada federal Carol de Toni (PL) e o senador Espírito Santo Amin (Progressistas).

Carlos Bolsonaro, Jorginho Mello e Carol de Toni. Foto: Reprodução

A mudança de domicílio eleitoral de Carlos, do Rio de Janeiro para Santa Catarina, acentuou o desgaste com as lideranças locais. A avaliação interna é que a manobra desorganizou acordos regionais e gerou insegurança entre partidos que davam sustentação ao governo estadual.

Dentro do PL, chegou a ser cogitada a exclusão de Carol de Toni da disputa ao Senado. A deputada, que tem apoio público de Michelle Bolsonaro e lidera levantamentos internos, reagiu e ameaçou deixar o partido caso fosse impedida de concorrer.

O impasse reforçou o isolamento do PL em Santa Catarina e aproximou MDB, Progressistas e outros partidos do centrão. A tentativa de acomodar Carlos Bolsonaro acabou consolidando um racha político que agora se reflete na articulação eleitoral contra o governador e seu partido.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.