
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrenta dificuldades iniciais na pré-campanha presidencial ao tentar reduzir a rejeição e ampliar apoios fora do núcleo bolsonarista. Sem o respaldo explícito de nomes relevantes da oposição, aliados avaliam que ele ainda convive com resistências internas e externas, além da concorrência simbólica do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), visto por setores conservadores como opção mais competitiva.
Diante desse cenário, Flávio passou a procurar um marqueteiro capaz de organizar a estratégia de comunicação e construir uma imagem menos restrita ao bolsonarismo raiz. A expectativa é manter a associação com o pai, mas com um discurso mais moderado, agenda econômica clara e postura institucional.
Segundo o jornal O Globo, interlocutores têm defendido uma campanha menos reativa, com maior integração entre redes sociais, imprensa e presença territorial. O senador afirmou que ainda não é o momento de contratar um marqueteiro e negou enfrentar dificuldades na pré-campanha.
Mesmo assim, aliados reconhecem desafios relevantes, sobretudo na tentativa de reduzir a rejeição, ainda considerada elevada para um projeto nacional.

Pesquisa Genial/Quaest indica que a rejeição a Flávio caiu de 60% para 55%, mas segue acima da registrada por Tarcísio, que aparece com 43%. No campo da comunicação, o publicitário Daniel Braga, ligado ao senador Rogério Marinho, passou a colaborar com conteúdos digitais, embora não seja visto como o estrategista central. Outros nomes foram cogitados, mas enfrentam resistência interna no partido.
A estrutura digital também é considerada um entrave. Enquanto Jair Bolsonaro mantém 27 milhões de seguidores no Instagram, mesmo sem postagens recentes, Flávio reúne cerca de 8,3 milhões, o que reforça a avaliação de que a força orgânica do bolsonarismo não basta para sustentar uma campanha presidencial competitiva.
No campo político, a montagem de palanques estaduais segue problemática, com tensões em cerca de dez estados, como Minas Gerais, Rio de Janeiro e Goiás. No Nordeste, onde Luiz Inácio Lula da Silva teve desempenho decisivo em 2022, Rogério Marinho tenta costurar alianças para reduzir a desvantagem.
Paralelamente, aliados relatam que Michelle Bolsonaro atua para viabilizar Tarcísio como alternativa presidencial, o que amplia o impasse interno sobre quem liderará o campo bolsonarista em 2026.