
A Groenlândia voltou ao centro do debate internacional após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o interesse estratégico americano na ilha. Localizada no Oceano Ártico, a região é alvo de disputas geopolíticas, mas também carrega uma história marcada por colonização, apagamento cultural e conflitos em torno da identidade de seu povo originário.
Os primeiros habitantes da Groenlândia são os inuítes, historicamente chamados de “esquimós” por estrangeiros. O termo caiu em desuso por ser considerado pejorativo e associado à ideia de “comedores de carne crua”, uma visão construída por colonizadores.
“Esquimó” nunca foi um nome escolhido por esse povo e passou a simbolizar estereótipos e inferiorização cultural. Por isso, a população da Groenlândia prefere ser identificada como inuíte, denominação adotada por eles próprios.

Antes da colonização europeia, os inuítes viviam da pesca, da caça e da confecção de roupas com peles de animais adaptados ao clima extremo. Essa dinâmica começou a se transformar com a chegada dos vikings da Islândia, que batizaram a ilha de Groenlândia, “terra verde”, como estratégia para atrair colonos, apesar do território ser majoritariamente coberto por gelo.
A dominação dinamarquesa se consolidou sem consulta à população local. O processo incluiu imposição do idioma dinamarquês nas escolas, cristianização forçada e enfraquecimento das tradições inuítes. A exploração econômica, especialmente da caça à baleia e do comércio de peles, beneficiou a metrópole, enquanto os investimentos na população foram limitados.
Atualmente, a Groenlândia tem cerca de 56 mil habitantes e discute a independência, mas enfrenta forte dependência financeira da Dinamarca, que responde por cerca de metade do orçamento local. Apesar de educação e saúde gratuitas, o território convive com graves problemas sociais, como altas taxas de alcoolismo e suicídio.