
O advogado Pierpaolo Bottini, responsável pela defesa criminal de Daniel Vorcaro, negou que o banqueiro esteja negociando um acordo de delação premiada com as autoridades. Segundo o defensor, os rumores que circulam nos bastidores de Brasília sobre essa possibilidade não procedem e foram classificados como “mentira”.
Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no dia 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, no âmbito da Operação Compliance Zero. Ele permaneceu detido por 12 dias e, atualmente, cumpre medidas cautelares impostas pela Justiça, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica. O banqueiro prestou depoimento à Polícia Federal em 30 de novembro do mesmo ano.
A investigação apura supostas fraudes envolvendo a compra de carteiras de crédito avaliadas em R$ 12 bilhões do Banco Master pelo BRB. Segundo o Metrópoles, pessoas próximas ao caso garantem que Vorcaro não teria procurado, de maneira formal ou informal, a Polícia Federal nem a Procuradoria-Geral da República para discutir uma eventual delação premiada com o objetivo de preservar patrimônio. Até o momento, não houve qualquer iniciativa concreta nesse sentido.
Em Brasília, fontes da PF e da PGR afirmam que jamais foram acionadas para tratar de um acordo. Nos bastidores, integrantes da atual equipe de defesa avaliam que a hipótese de delação é prematura e afirmam ser contrários a essa estratégia no momento.

Investigadores apontam Daniel Vorcaro como líder de uma organização criminosa que teria causado prejuízos expressivos ao sistema financeiro. Ele já foi alvo de duas fases da Operação Compliance Zero e, na etapa mais recente, teve R$ 5,7 bilhões bloqueados por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli.
Mesmo após a saída do advogado Walfrido Warde, que prestava assessoria ao banqueiro em questões regulatórias relacionadas ao Banco Master, a defesa criminal segue sob responsabilidade de Pierpaolo Bottini, Marcelo Leonardo e Roberto Podval. Warde não atuava na área criminal do caso.
De acordo com informações divulgadas pela repórter Andreia Sadi, do canal GloboNews, Vorcaro teria manifestado interesse em um acordo de delação premiada, posição que encontra resistência dentro da própria defesa.
Segundo relatos de bastidores, a saída de Warde ocorreu em razão do agravamento da situação jurídica do banqueiro. O advogado seria contrário à estratégia de delatar outros envolvidos nas supostas fraudes relacionadas ao Banco Master.
Na última semana, quando voltou a ser alvo de uma nova operação da Polícia Federal, o banqueiro afirmou ter “interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito”.
Conhecido por seu estilo combativo na defesa de clientes, Walfrido Warde ganhou destaque nacional por sua suposta atuação junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) contra a liquidação do Banco Master, episódio que ampliou sua visibilidade no meio jurídico e político.