
O dólar encerrou o pregão desta terça-feira (27) no menor valor em quase dois anos, em um movimento que chamou atenção do mercado financeiro. A moeda americana recuou 1,40% frente ao real e fechou cotada a R$ 5,2056. O último patamar semelhante havia sido registrado em 28 de maio de 2024, quando o câmbio terminou o dia a R$ 5,1534. Com informações do Globo.
Analistas apontam que a queda não está ligada a fatores internos da economia brasileira, mas a um rearranjo mais amplo no mercado internacional de moedas. O enfraquecimento do dólar ocorre em meio a mudanças no cenário global, com destaque para acontecimentos recentes no Japão.
Segundo Luciano Costa, economista-chefe da MonteBravo Corretora, o movimento é resultado direto desse contexto externo. “Esse movimento é essencialmente global. O dólar está se enfraquecendo de forma relevante lá fora, e a origem dessa mudança vem do Japão”, afirmou.
Na véspera, rumores de uma possível intervenção cambial coordenada entre Japão e Estados Unidos ganharam força após informações de que o Federal Reserve Bank de Nova York teria consultado a taxa de câmbio japonesa. A especulação envolve uma atuação direta no mercado para conter a forte desvalorização do iene.
Autoridades japonesas confirmaram que mantêm coordenação estreita com os Estados Unidos em temas cambiais, mas evitaram confirmar qualquer intervenção direta. Ainda assim, a sinalização foi suficiente para alterar o comportamento dos investidores e reduzir a pressão sobre a moeda japonesa.

O iene vinha acumulando perdas expressivas após a primeira-ministra Sanae Takaichi dissolver o Parlamento e convocar novas eleições. Para parte do mercado, a decisão aumentou a incerteza política no curto prazo, ao mesmo tempo em que abriu espaço para mudanças fiscais e econômicas.
Antes da reversão, a moeda japonesa chegou a ultrapassar o nível de 150 ienes por dólar, patamar considerado excessivamente depreciado por analistas. A recuperação ganhou força justamente após os rumores de uma atuação conjunta com os Estados Unidos.
Além do Japão, outras moedas relevantes também se valorizaram frente ao dólar. O euro apresentou alta consistente, reforçando a leitura de enfraquecimento generalizado da divisa americana nos mercados globais.
Esse cenário ficou evidente no índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas. No fechamento do pregão, o indicador recuava 0,82%, aos 96,25 pontos, refletindo a pressão externa que acabou se traduzindo em queda da moeda americana no Brasil.