
Um agente do ICE, o serviço de imigração dos Estados Unidos, tentou entrar à força no consulado do Equador em Minneapolis nesta terça-feira (27), segundo o Ministério das Relações Exteriores do país sul-americano. O episódio ocorre em meio a uma série de operações do governo Donald Trump contra imigrantes na cidade, que já resultaram na morte de dois cidadãos estadunidenses em menos de um mês, segundo autoridades locais.
De acordo com o governo equatoriano, “os funcionários [do consulado] impediram a entrada” do agente na manhã desta terça-feira, a fim de garantir a proteção de cidadãos do Equador que estavam no prédio. Ainda segundo a chancelaria, os servidores ativaram imediatamente os protocolos de emergência previstos pelo Ministério das Relações Exteriores do país.
Após a tentativa de invasão, “a ministra das Relações Exteriores [Gabriela Sommerfeld] apresentou imediatamente uma nota de protesto à Embaixada dos Estados Unidos no Equador, para que atos dessa natureza não se repitam em nenhuma das repartições consulares do Equador nos EUA”, informou o governo de Quito. Até o início desta noite, nem o ICE nem a Casa Branca haviam se manifestado oficialmente sobre o ocorrido.
O direito internacional estabelece que agentes do país-sede não podem ingressar em consulados ou embaixadas sem autorização expressa do representante diplomático responsável. O caso, portanto, elevou a tensão diplomática entre os dois países, apesar da relação próxima entre o presidente equatoriano Daniel Noboa e o governo Trump.
Noboa é considerado um aliado do presidente estadunidense e foi um dos primeiros líderes sul-americanos a se reunir com Trump em 2025, após o retorno do republicano à Casa Branca.
O governo equatoriano busca ampliar a cooperação com os Estados Unidos no combate ao narcotráfico. Ainda assim, o presidente já enfrentou críticas internacionais por ações envolvendo representações diplomáticas estrangeiras.
🚨 BREAKING: Ecuador has issued a formal protest after ICE agents attempted to enter the Ecuadorian Consulate in Minneapolis without permission, an act that diplomats say violates international consular protections.
Consulate officials blocked the entry and activated emergency… pic.twitter.com/UU9WgfN9dV
— Brian Allen (@allenanalysis) January 28, 2026
Em abril de 2024, forças policiais do Equador invadiram a embaixada do México em Quito para retirar o ex-presidente Jorge Glas, acusado de corrupção. O episódio resultou no rompimento das relações diplomáticas entre os dois países, que permanecem sem contato direto desde então, com a Suíça atuando como intermediária.
A tentativa de invasão ao consulado ocorre no mesmo contexto em que o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, anunciou a retirada progressiva de agentes federais do ICE da cidade. A medida foi divulgada após semanas de protestos contra a repressão a imigrantes. “E continuarei pressionando para que o restante envolvido nessa operação também se retire”, escreveu o democrata em publicação no Instagram.
Frey afirmou ter conversado por telefone com Donald Trump e pediu o encerramento das ações. “Apreciei a conversa”, declarou. Segundo o prefeito, o presidente concordou que a situação atual não pode continuar.
“Minneapolis continuará a cooperar com as autoridades estaduais e federais em investigações criminais reais, mas não participaremos de prisões inconstitucionais de nossos vizinhos nem da aplicação da lei federal de imigração. Criminosos violentos devem ser responsabilizados pelos crimes que cometem, e não com base em sua origem”, afirmou.
Trump também classificou o diálogo como “muito boa”, enquanto Tom Homan, czar da fronteira da Casa Branca, marcou uma reunião com o prefeito para discutir os próximos passos.
O clima de tensão aumentou após a confirmação da morte do enfermeiro Alex Pretti, 37, atingido por disparos de agentes do ICE no sábado (24). Pretti era cidadão estadunidense, nascido em Illinois.
Segundo a Polícia de Minneapolis, ele foi encontrado com múltiplos ferimentos causados por arma de fogo e morreu no hospital. O Departamento de Segurança Interna afirmou que o homem se aproximou dos agentes “com uma pistola semiautomática de 9 mm”, o que teria levado a uma “luta armada”.