Justiça dos EUA proíbe deportação de equatoriano de 5 anos usado como isca pelo ICE

Atualizado em 28 de janeiro de 2026 às 7:10
Liam Conejo Ramos usado como isca pelo ICE. Foto: reprodução

O juiz federal Fred Biery, dos Estados Unidos, determinou nesta terça-feira (27) a suspensão temporária da deportação do menino equatoriano Liam Conejo Ramos, de 5 anos, e de seu pai, Adrian Conejo Arias pelo governo de Donald Trump. Ambos estão detidos há cerca de uma semana em um centro do ICE, o serviço de imigração do país, após uma operação realizada em Minneapolis. A decisão foi tomada pelo magistrado que estabeleceu a medida “até nova ordem do tribunal”.

Além de barrar a deportação, o juiz também proibiu que o ICE transfira pai e filho do distrito oeste do Texas, onde estão detidos atualmente, “durante a pendência deste litígio e até nova ordem”. Liam e Adrian são cidadãos do Equador e estão presos em um centro de detenção em San Antonio, a aproximadamente 2.000 quilômetros de distância de Minneapolis.

O caso ganhou repercussão após denúncias de que agentes do ICE teriam apreendido a criança durante uma batida de imigração e a utilizado como forma de pressionar a entrada em uma residência. Segundo informações repassadas por uma escola de Minneapolis, os agentes teriam usado o menino como isca para tentar localizar e prender outros imigrantes que estariam no local.

De acordo com o Departamento de Segurança Interna do governo Donald Trump, a operação ocorreu no dia 20 e tinha como objetivo prender Adrian Conejo Arias, que, segundo as autoridades, estaria em situação migratória irregular. O ICE afirma que Adrian tentou fugir durante a abordagem e teria abandonado o filho, também nascido no Equador.

A versão é contestada pela defesa. Em entrevista após as detenções, o advogado Marc Prokosch, que representa Arias, negou as acusações do governo e afirmou que não procede a alegação de que a família estaria em situação irregular nos Estados Unidos.

Manigestações contra o ICE em Minneapolis. Foto: reprodução

A superintendente do distrito escolar de Columbia Heights, onde Liam estuda, relatou que a abordagem aconteceu quando Adrian retornava para casa após buscar o menino na pré-escola. Após prender o pai, os agentes teriam pedido que a criança batesse à porta da residência para verificar se havia mais pessoas no interior do imóvel.

“Eles usaram [Liam] como isca”, afirmou a superintendente Zena Stenvik em entrevista coletiva. “Por que apreender uma criança de cinco anos? Não é possível que alguém acredite que [o menino] é um criminoso violento”, completou.

Ainda segundo o relato, outro adulto que reside na casa, cuja identidade não foi divulgada, teria “implorado aos agentes” para que deixassem a criança no local. O pedido foi negado, e pai e filho foram levados cerca de 20 minutos antes da chegada do irmão mais velho de Liam, que estuda no ensino fundamental.

Em nota, o ICE declarou que Adrian Conejo é um “imigrante ilegal solto dentro do país pelo governo Biden” e afirmou que pais detidos em processos de deportação têm a opção de permitir que seus filhos os acompanhem de volta ao país de origem. O órgão não esclareceu se Adrian fez essa escolha nem explicou por que Liam não foi deixado sob os cuidados do outro adulto presente no local.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.