VÍDEO: Cubanos saem às ruas de Havana com tochas contra ameaças dos EUA

Atualizado em 28 de janeiro de 2026 às 7:35
Cubanos participam da Marcha das Tochas em Havana. Foto: ADALBERTO ROQUE / AFP

Cubanos marcharam com tochas pelas ruas de Havana na noite desta terça-feira (27) em protesto contra ameaças dos Estados Unidos à ilha. A mobilização reuniu milhares de pessoas, em sua maioria jovens, durante a tradicional “Marcha das tochas”, que neste ano assumiu caráter anti-imperialista em meio ao aumento das tensões entre Washington e Havana.

A manifestação ocorre após a operação militar dos EUA que resultou, no início de janeiro, no sequestro do então presidente venezuelano Nicolás Maduro, principal aliado político de Cuba na região. Desde então, o presidente norte-americano Donald Trump intensificou críticas públicas ao governo cubano e chegou a instar a ilha a “chegar a um acordo”, sem detalhar os termos, “antes que seja tarde demais”.

Durante o ato, lideranças estudantis reforçaram o tom político da mobilização. “Este não é um ato de nostalgia, é um chamado à ação”, afirmou Litza Elena González Desdín, presidente da Federação de Estudantes Universitários, diante da multidão reunida aos pés da escadaria da Universidade de Havana. “Em tempos de ameaça, a firmeza ideológica e a defesa da pátria são essenciais.”

Presença de Díaz-Canel

O presidente cubano Miguel Díaz-Canel liderou a marcha ao longo de um percurso de cerca de um quilômetro por diversas ruas da capital. Entre os participantes, jovens destacaram o simbolismo do ato.

“Nós somos a continuidade da revolução”, disse Lorena González, atleta de 18 anos. “Devemos seguir em frente e representar o país”, afirmou, enquanto marchava ao lado de outros estudantes com tochas improvisadas.

A mobilização é tradicionalmente realizada em 27 de janeiro, véspera do aniversário do herói nacional cubano José Martí (1853–1895), e remete ao desfile organizado na mesma data, em 1953, pelo então estudante e futuro líder Fidel Castro (1926–2016), em desafio ao governo de Fulgencio Batista.

Apesar da grave crise estrutural enfrentada pelo país, manifestantes ressaltaram a disposição de resistência. “Podemos ter milhares de problemas”, afirmou Migdelio Rosabal, operário de 58 anos, “mas os cubanos não têm medo, embora queiramos a paz”.

Pessoas participam da Marcha das Tochas em homenagem ao nascimento de José Martí, em Havana, Cuba | Foto: reprodução/EFE
Pessoas participam da Marcha das Tochas em homenagem ao nascimento de José Martí, em Havana, Cuba. Foto: reprodução/EFE