Justiça determina penhora de bens de empresa da família Vorcaro; saiba os detalhes

Atualizado em 28 de janeiro de 2026 às 8:54
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: Reprodução

A Justiça de São Paulo determinou a penhora de bens no valor de R$ 2,4 milhões da Alliance Participações, empresa que tem como sócios o pai e a irmã de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em uma disputa judicial relacionada à compra do grupo que deu origem à Kovr Seguradora, conforme informações da Folha de S.Paulo.

A decisão refere-se ao saldo remanescente de uma dívida que chegou a R$ 7,4 milhões, ligada à aquisição, em 2017, de participação acionária na Segpar Participações. A ação tramita desde 2022 na 7ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo. A Kovr foi vendida pouco antes da liquidação do Banco Master, ocorrida em novembro do ano passado.

Segundo o processo, a Alliance comprou participação do fundo Hermes Capital Semente e da NPF Participações, comprometendo-se a pagar R$ 5 milhões. Com a operação, a empresa de Henrique Moura Vorcaro e Natalia Bueno Vorcaro Zettel passou a deter 77% da Segpar, enquanto os 23% restantes ficaram com o fundo Hermes.

Mudanças societárias e garantias

O principal ativo da Segpar era o Grupo InvestPrev, que atuava nos ramos de seguros, capitalização e previdência e que posteriormente deu origem à Kovr Seguradora. Após o contrato, o fundo Hermes liquidou sua participação, sucedida pela NPF Participações. Nesse momento, houve alteração no contrato, e Daniel Vorcaro entrou como garantidor da aquisição, ainda não quitada.

Ficheiro:Por dentro da Kovr Seguradora.jpg
Kovr Seguradora. Foto: Reprodução

Em 2020, a NPF entrou em liquidação voluntária, e Luiz Eduardo Franco de Abreu passou a figurar como sucessor e credor da Alliance. Ex-CEO do BRB nos anos 1990 e do braço de investimentos do Banco do Brasil nos anos 2000, Franco de Abreu ingressou com a ação em 2022 para cobrar a dívida, então calculada em R$ 7,1 milhões.

Após a disputa judicial, R$ 5 milhões foram bloqueados de Daniel Vorcaro em razão da garantia prestada. Para assegurar o pagamento do valor remanescente — hoje em R$ 2,4 milhões, referentes à correção monetária e à multa —, a Justiça determinou, em novembro de 2025, a penhora de bens da Alliance. A disputa judicial segue em andamento.

Investimentos em crédito de carbono

A Alliance, uma sociedade anônima fechada, também foi utilizada pela família Vorcaro em um projeto bilionário considerado irregular de créditos de carbono, realizado sobre terras públicas na Amazônia e baseado em valores inflados, sem lastro de mercado.

Documentos apontam que os Vorcaros estiveram envolvidos desde a origem do plano, estruturado com alavancagem financeira por meio de fundos da administradora Reag.

Dois desses fundos tiveram o patrimônio reavaliado após empresas investidas serem infladas em mais de R$ 45,5 bilhões com créditos de carbono gerados em área pública da União, o que é considerado irregular.