Milei canta com a ex em show patético enquanto incêndios devastam a Patagônia

Atualizado em 28 de janeiro de 2026 às 10:35
Milei e sua ex de um lado, a Patagônia em chamas do outro. Foto: reprodução

Enquanto a Patagônia arde em chamas e famílias perdem suas casas, o presidente argentino Javier Milei escolheu o palco de um teatro para protagonizar um espetáculo constrangedor ao lado da ex-namorada. A cena aconteceu em Mar del Plata, durante a apresentação do show “Fátima Universal”, da humorista Fátima Florez, e escancarou um contraste difícil de ignorar: de um lado, uma emergência ambiental de grandes proporções; do outro, risadas, música e clima “reencontro romântico”.

Milei chegou ao Teatro Roxy por volta das 20h52, acompanhado da irmã e secretária-geral da Presidência, Karina Milei, e da ministra Sandra Pettovello. Do lado de fora, apoiadores o aguardavam como se a presença em um espetáculo teatral fosse compromisso de Estado. Lá dentro, foi recebido com aplausos e logo convidado ao palco pela própria Fátima, sua ex-companheira.

O que se seguiu foi um desfile de intimidade em rede quase nacional: abraços, troca de elogios, piadas internas e até dueto musical. Em determinado momento, Milei declarou que estava ali para “pagar dívidas”, ao que a artista respondeu em tom leve. O presidente insistiu que se tratava de algo “de coração”. A plateia vibrou.

O ponto alto da participação foi quando os dois cantaram juntos “Rock del gato”, clássico dos Ratones Paranoicos.

A quilômetros dali, a realidade era outra. Incêndios florestais avançavam sobre a Patagônia, já tendo consumido mais de 2200 hectares na província de Chubut. Pelo menos dez casas foram destruídas, centenas de pessoas precisaram sair às pressas e o fogo atingiu áreas do Parque Nacional Los Alerces, onde vivem árvores milenares. A seca e os ventos fortes dificultam o combate às chamas, que mobiliza centenas de brigadistas e grandes aeronaves de apoio.

Autoridades locais afirmam que o incêndio foi provocado de forma intencional e oferecem recompensa por informações sobre os responsáveis. Estradas foram fechadas, empreendimentos turísticos sofreram danos e ecossistemas inteiros correm risco de levar décadas para se recuperar.