
O presidente Donald Trump afirmou que o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, está “brincando com o fogo” ao se recusar a aplicar leis federais de imigração na cidade. A reação veio após ele reafirmar a manutenção das políticas de cidade-santuário, contrariando exigências feitas pelo governo federal.
Segundo a Casa Branca, o governo Trump havia condicionado a retirada gradual de agentes do ICE da região à revogação dessas políticas. Cidades-santuário adotam diretrizes que limitam a cooperação com autoridades federais de imigração, o que Trump afirma contribuir para o aumento da criminalidade, argumento rejeitado por autoridades locais.
Após reunião com o chamado “czar da fronteira”, Tom Homan, Frey afirmou que não mudaria a postura do município. “Deixei claro também que Minneapolis não aplica e não aplicará as leis federais de imigração, e que continuaremos focados em manter nossos vizinhos e nossas ruas seguros”, declarou.
O prefeito disse ainda que alguns agentes federais deixariam a cidade, enquanto ele seguiria pressionando pela saída total do ICE. Trump reagiu nas redes sociais dizendo ter sido surpreendido pela declaração. Em publicação no Truth Social, afirmou que a posição de Frey ocorreu “para surpresa de todos”, mesmo após “uma conversa muito produtiva” entre os dois.
O presidente americano questionou se alguém próximo ao prefeito poderia explicar que a fala representa “uma violação gravíssima da lei” e concluiu: “Será que alguém de seu círculo íntimo poderia explicar que essa declaração é uma violação gravíssima da lei e que ele está apenas brincando?”.

A crise se agravou após a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, enviar carta ao governador de Minnesota, Tim Walz, exigindo uma “mudança de rumo”. Entre os pedidos estão o acesso a registros eleitorais para “confirmar que o registro de eleitores está em conformidade com a lei”.
“Atender a esse pedido de bom senso garantirá melhor eleições livres e justas e aumentará a confiança no Estado de Direito”, escreveu, sem detalhar as razões da solicitação.
Autoridades estaduais reagiram às exigências. O secretário de Estado de Minnesota, Steve Simon, afirmou que o governo federal pressiona por dados privados como condição para retirar o ICE. “Nós dizemos não”, escreveu. O secretário de Estado do Arizona, Adrian Fontes, também criticou a medida.
“Isso não é liderança. Isso é chantagem. Não é assim que a lei funciona”, declarou. Além dos cadastros eleitorais, Bondi cobra o fim das políticas de cidades-santuário e o compartilhamento de informações sobre programas assistenciais, alegando suspeitas de fraude.