Caso Orelha: “A juíza era amiguinha da família”, diz Luísa Mell a delegados em SC

Atualizado em 28 de janeiro de 2026 às 22:55
A ativista Luisa Mell. Foto: reprodução

A ativista Luisa Mell esteve em Florianópolis na tarde desta quarta-feira (28) para acompanhar de perto as investigações sobre a morte do cão comunitário Orelha e cobrou duramente autoridades policiais e o sistema de Justiça durante entrevistas coletivas. O caso ganhou repercussão nacional após a confirmação de que o animal foi agredido a pauladas por adolescentes e precisou passar por eutanásia devido à gravidade dos ferimentos.

Durante uma das abordagens aos delegados responsáveis pelo inquérito, Luisa Mell questionou decisões tomadas antes de o caso viralizar nas redes sociais e apontou tratamento considerado brando aos suspeitos. “Acho que a Justiça não devia deixar ele viajar, se ele cometeu um crime tão bárbaro. ‘Ah, mas já estava programado ir para a Disney’. Problema dele, ele que não matasse o cachorro a pauladas”, afirmou, ao comentar a liberação de um dos investigados para uma viagem ao exterior.

A ativista também questionou o impacto da atuação do Judiciário no andamento do caso. “Essa parte da juíza ter demorado para declarar que não poderia continuar no caso porque era ‘amiguinha da família’ pode ter atrapalhado as investigações?”, perguntou.

As respostas dos delegados, no entanto, foram consideradas evasivas, limitando-se a afirmar que “o fator tempo é sempre essencial para qualquer investigação”.


Luisa Mell também divulgou em suas redes sociais o laudo clínico do cão Orelha. No Instagram, escreveu: “Acompanhar de perto este caso, não tem sido fácil. Mas assim consigo ter acesso as informações reais. Aqui o laudo do cão assassinado covardemente pelos adolescentes.”.

O documento detalha que o animal apresentava lesões graves na cabeça, sangramento pela boca e pelo nariz, além de fraturas na mandíbula e no maxilar.

Em entrevista concedida à ativista, uma delegada responsável pelo caso afirmou que as investigações não se limitam ao episódio envolvendo o cão.

“Existe uma série de outros atos ilícitos, atos criminosos, a exemplo de atos infracionais de crimes contra a honra, praticados contra os profissionais aqui da região, como porteiros, depredação de patrimônio, furto de bebida alcoólica, então todos esses atos vão ser também apurados”, disse.

Segundo a polícia, um porteiro teria fotografado os adolescentes para alertar seguranças da região, após episódios de confusão. Essa imagem, no entanto, teria sido apagada depois de ser compartilhada. A Polícia Civil de Santa Catarina reforça que, até o momento, não há vídeo que registre diretamente as agressões contra Orelha, apesar de informações em sentido contrário terem circulado nas redes sociais.

 

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Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.