
A web resgatou, nesta quarta-feira (28), uma publicação antiga do corretor Maicon Douglas de Oliveira com uma camiseta estampada com o rosto do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Você sempre me representará”, escreveu Maicon, que assim como Bolsonaro, agora está preso. Ele é acusado de obstruir as investigações contra seu pai, o síndico Cléber Rosa de Oliveira, que confessou ter matado Daiane Alves Souza.
A também corretora estava desaparecida desde 17 de dezembro de 2025. Naquele dia, ela desceu ao subsolo do prédio onde administrava seis apartamentos para verificar padrões de energia elétrica e não foi mais vista. Segundo a Polícia Civil, a corretora mantinha um histórico de conflitos com o síndico, envolvendo denúncias de perseguição, interrupções no fornecimento de energia e agressões verbais.
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De acordo com o delegado André Luiz, Maicon teria entregue um celular novo ao pai após o crime, o que levantou a suspeita de tentativa de ocultação de provas, caso o aparelho antigo fosse apreendido.
“A prisão foi solicitada, em primeiro momento, para que a gente pudesse entender se essa participação já acontecia desde a prática desse homicídio ou se só aconteceu depois que o crime ocorreu”, afirmou o delegado em entrevista à TV Anhanguera.
Além de Cléber e do filho, o porteiro do prédio onde ocorreu o crime foi conduzido à delegacia para prestar esclarecimentos. Em coletiva de imprensa, a Polícia Civil informou que a Justiça decretou a prisão temporária de Cléber Rosa de Oliveira por 30 dias, prazo que pode ser prorrogado. Ele é investigado por homicídio e ocultação de cadáver.
Após a prisão, Cléber levou os policiais até o local onde havia deixado o corpo de Daiane, encontrado a cerca de 15 quilômetros de Caldas Novas, às margens da rodovia GO-213. A área foi isolada para os trabalhos da perícia.
Segundo a investigação, os atritos entre o síndico e a corretora começaram quando Cléber perdeu a administração de alguns apartamentos do prédio, que passou para Daiane. “O síndico administrava [os apartamentos] e eles [família da vítima] passaram a administração para Daiane. Desde então, houve uma série de atritos. Ele foi denunciado por perseguição”, explicou o delegado André Luiz.
Sem detalhar a dinâmica do assassinato, a Polícia Civil informou que Cléber relatou ter discutido com Daiane no subsolo do edifício logo após ela sair do elevador filmando os padrões de energia. As circunstâncias exatas da morte ainda dependem da conclusão dos laudos periciais.
O corpo da corretora foi encaminhado ao Instituto Médico Legal de Goiânia nesta quarta-feira (28). Segundo a Polícia Científica, a necropsia deve apontar a causa da morte em até dez dias. A perita criminal Núbia Miranda explicou que serão realizados exames de tomografia computadorizada, análise da arcada dentária, exame antropológico e, se necessário, DNA.