
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) usou a morte do cão comunitário Orelha, ocorrida na Praia Brava, em Florianópolis, para questionar a repercussão do caso e defender a redução da maioridade penal. Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar afirmou estar “cansado de ouvir” sobre o episódio e comparou a mobilização em torno do crime com outros temas internacionais, escolhidos de forma seletiva para dialogar com seu público.
“Justiça por Orelha. Você deve estar cansado de ouvir isso, mas é um caso que realmente deve ter a repercussão que está tendo”, disse Nikolas no início da gravação. Em seguida, acrescentou: “Eu vi muitas reflexões sobre isso, muitas pessoas dizendo o porquê também as pessoas não se comovem com outros casos bárbaros, como a perseguição de cristãos na Nigéria ou a perseguição a mulhers no Irã”.
Na fala, o deputado citou situações internacionais sem mencionar outros conflitos e crises humanitárias contemporâneas, como a execução de pelo menos 70 mil pessoas em Gaza, só por bombardeios diretos do estado sionista de Israel, ou a política de repressão a imigrantes nos Estados Unidos, tema que envolve diretamente aliados políticos do parlamentar.
A escolha dos exemplos foi interpretada como uma tentativa de deslocar o foco do debate sobre a violência contra o animal para uma comparação ideológica com pautas caras à sua base eleitoral.
🚨 INDELICADO: Nikolas Ferreira questiona por que a morte de cristãos não gera tanta comoção quanto a do cachorro Orelha.
Alguém pode responder? pic.twitter.com/gjvLMDVTwe
— Cássio Oliveira (@cassioolivveira) January 29, 2026
Oportunismo contra o ECA
O vídeo rapidamente ganhou ampla circulação nas redes sociais. Sem demonstrar empatia explícita pelo caso, Nikolas também utilizou a morte do cão para reforçar críticas ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e associar o modelo atual de responsabilização penal a posições da esquerda. Segundo ele, adolescentes envolvidos em crimes graves deveriam ser punidos de forma mais severa.
O parlamentar argumentou que jovens de 16 anos já possuem direitos civis relevantes, como votar, trabalhar e casar com autorização judicial, e que, por isso, deveriam responder criminalmente por seus atos. As declarações foram feitas no contexto da comoção nacional provocada pela morte de Orelha, atribuída a um grupo de adolescentes de classe média.
Ao longo da gravação, Nikolas direcionou perguntas aos seguidores, instigando-os a se posicionar sobre “de que lado” estariam no debate. Para o deputado, o sistema atual garantiria impunidade a adolescentes envolvidos em crimes violentos. Apesar das críticas, ele não apresentou propostas legislativas concretas nem mencionou projetos específicos em tramitação no Congresso Nacional relacionados à redução da maioridade penal.