Sakamoto: Ao investigar ‘Gabinete do Ódio’ do Master, PF traz alento às eleições

Atualizado em 29 de janeiro de 2026 às 7:53
PF critica proposta de Derrite exigindo autorização de governadores
Agentes da Polícia Federal. Foto: Reprodução

Por Leonardo Sakamoto, no UOL

É uma boa notícia para as eleições deste ano que a Polícia Federal tenha aberto hoje um inquérito para investigar a contratação de influenciadores que teriam atacado o Banco Central a fim de beneficiar Daniel Vorcaro, o proprietário do Banco Master. A responsabilização criminal de quem recebeu cascalho para difamar pode ajudar a garantir que o lamaçal de outubro seja menor do que o esperado.

Investigações realizadas por veículos de imprensa apontaram influenciadores com milhões de seguidores pagos com milhões de reais para atacar instituições, servidores públicos e jornalistas envolvidos nas investigações sobre as falcatruas, naquilo que vem sendo chamado de “Gabinete do Ódio do Master”.

De acordo com Mateus Coutinho e Fábio Serapião, no UOL, o inquérito foi autorizado pelo ministro Dias Toffoli, do STF, e ficará com um delegado da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da PF.

Antes que alguém venha com mimimi: todo mundo é livre para ter e exprimir sua opinião sobre o banco, por mais equivocada que seja. A questão é receber dinheiro para atacar alguém que está cumprindo seu dever e criar entraves à efetivação da lei.

A ideia era tão sórdida quanto genial: ao invés de bancar influenciadores de economia e política, foram contratados nomes voltados ao entretenimento. Com isso, tentou-se construir as bases de uma dúvida razoável sobre as investigações contra a liquidação do Master na população em geral, uma vez que tinham mais capilaridade e capacidade de viralização.

Banco Master. Foto: Reprodução

Como já disse aqui, vale lembrar que as maracutaias do banco parecem o último capítulo de novela, quando todo mundo resolve aparecer junto de uma vez. Envolvem parlamentares do centrão, governadores de estados e do Distrito Federal, ministro do Supremo Tribunal Federal, ministro do Tribunal de Contas da União, gente da Faria Lima crescida no leite de pera. E, se chafurdar, pega gente da direita à esquerda, porque Vorcaro tinha muito$ amigo$.

Se a Polícia Federal foi capaz de descobrir relações entre Vorcaro e as gestoras Reag e Trustee DTVM, alvos da Operação Carbono Oculto (que analisa a relação de atores da Faria Lima com lavagem de grana para o PCC), não terá dificuldade de apontar os responsáveis por pagar os influenciadores.

O termo “Gabinete do Ódio” era usado originalmente para se referir à estrutura criada durante o governo Jair Bolsonaro, e que operou dentro do Palácio do Planalto, para atacar e difamar, via redes sociais, políticos e jornalistas vistos como entraves às necessidades do grupo político. Hoje, é um modelo de atuação, visto como exitoso. A menos, claro, que você seja descoberto.

Esse tipo de ataque se tornou parte do cotidiano e será usado largamente nas eleições gerais deste ano. O pagamento de pessoas famosas para atacarem outras não é novidade; a novidade é a estrutura centralizada, com agências que contratam rapidamente influenciadores para difundir uma única mensagem.

Muitas pessoas apontam que o uso indiscriminado de inteligência artificial generativa, principalmente na produção de vídeos e áudios que reproduzem fielmente a realidade, irá confundir eleitores. Não tenho dúvidas disso. Mas, da mesma forma, influenciadores criminosos também farão esse serviço. Descobrir quem foram os do Banco Master e punir quem financiou e quem recebeu o dinheiro pode ajudar, portanto, a que as eleições de outubro sejam um pouco menos sombrias do que as nuvens escuras no horizonte indicam.