Lula: somos todos Brasil da Silva. Por Kakay

Atualizado em 29 de janeiro de 2026 às 8:40
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Foto: Reprodução

Em 17 de setembro de 2015, o grande dramaturgo brasileiro Aguinaldo Silva fez uma instigante entrevista comigo. Quando o entrevistador é brilhante e original, a conversa deixa o entrevistado interessante. Na fase de preparação, no charmoso apartamento do grande escritor, ele me perguntou: “qual a maior homenagem que um brasileiro pode ter?”. Respondi, sem titubear: “ser homenageado em um samba-enredo de uma escola de samba do grupo A no carnaval do Rio de Janeiro”. A glória. Um luxo. Ele retorquiu: “e a segunda maior homenagem?”. Disse, de bate-pronto: “ter um personagem em uma novela que retratasse você”. Ele me emocionou, quase me desconcertou: “minha novela atual tem um personagem em sua homenagem”. Fui tragado para o mar revolto da vaidade, da alegria, da surpresa e da emoção indizível. Fiquei quieto e muito feliz.

O presidente Lula foi muito além do que qualquer pessoa pode imaginar sonhar. Tendo fugido da fome no Nordeste, com sua família e, especialmente, sua amada mãe, ele fez o inimaginável: tirou o Brasil do mapa da fome da ONU! É, talvez, o maior feito dentre os milhares que ele ostenta. Não é só que ele deixou de passar fome; ele retirou milhões de pessoas da linha de pobreza, que impõe a fome! Não precisava de mais nada.

Poderia ter voltado para Pernambuco ou quedar-se, amoroso e leve, nos braços da sua amada. Todo mundo quer parar um dia e só namorar, torcer em um jogo de futebol, tomar uma e conviver com a família e amigos. Mas Lula cumpre o destino de se dedicar ao Brasil. Exatamente pela sua luta política, foi perseguido pelo fascismo da Lava Jato, que tinha um projeto político que desaguou na dupla Moro-Bolsonaro. Lula resistiu. Vencemos com ele o fascismo e a barbárie.

Não ouso dizer que foi muito sacrifício, porque tenho longa convivência com políticos. Advoguei para muitos e grandes políticos. Eles sempre se dizem explorados e cansados; porém, na hora da verdade, oferecem-se ávidos para “irem para o sacrifício”. O poder vicia, embriaga e toma as rédeas da pessoa e do grupo político.

No caso do Lula, essa ação inebriante foi o que mudou o Brasil. A ele, e ao grupo político dele, devemos hoje esse país com dados que desnorteiam a Faria Lima. Não só aqueles que estavam na pobreza extrema e que saíram da linha da fome, mas foram beneficiados também os inconfessos donos do agro, que ganham muito mais do que na balbúrdia bolsonarista. Não nos esqueçamos dos ultradireitistas, que adoram o prestígio internacional e a segurança do governo e ganham rios de dinheiro no mercado. Enfim, o Brasil vai bem, obrigado!

Por isso, emociono-me com a homenagem da escola Acadêmicos de Niterói. O tema é: “Lula, o operário do Brasil”. É claro que ele já foi homenageado em todos os lugares, no Brasil e no mundo. Também sabemos que o carnaval do seu Pernambuco e o nosso carnaval da Bahia já fizeram as homenagens devidas. Mas ouso dizer que esta tem um carinho diferente e especial. Esse samba-enredo vai ser cantado nos carnavais de rua, de clubes e de marchinhas espalhadas pelo Brasil. E é aí que o Lula é nosso. Do povo brasileiro. É quando nenhum grupo político disputa hegemonia. É o Lula, que resgatou a cidadania do brasileiro. Assim, quando o samba-enredo entrar na Avenida, o país inteiro vai estar homenageando o Lula. E quando o povo cantar o enredo nos blocos de rua, vamos todos nos lembrar:

“Quanto custa a fome?
Quanto importa a vida?
Nosso sobrenome
É Brasil da Silva.”

Kakay
Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido pela alcunha de Kakay, é um dos maiores advogados criminalistas brasileiros. É também poeta e escritor