Vorcaro pode voltar à prisão se PF comprovar ligação com influenciadores; entenda

Atualizado em 29 de janeiro de 2026 às 10:24
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução

A Polícia Federal avalia pedir a prisão preventiva de Daniel Vorcaro caso consiga comprovar que o empresário financiou influenciadores digitais para atacar o Banco Central após a liquidação do Banco Master. Segundo investigadores, há indícios de que recursos ligados a Vorcaro teriam sido usados para bancar campanhas de desinformação nas redes sociais com o objetivo de desacreditar a autoridade monetária.

As publicações analisadas até agora atribuem ao Banco Central responsabilidade indevida pela liquidação da instituição financeira, ocorrida em novembro do ano passado, e tentam colocar em dúvida a atuação técnica do órgão regulador. A informação foi revelada pela jornalista Daniela Lima, do UOL, e integra um inquérito que apura suspeitas de coação, difamação e tentativa de obstrução de Justiça.

Para a Polícia Federal, esse tipo de ataque pode configurar crime de difamação ao atingir a reputação de um órgão público responsável pela supervisão do sistema financeiro nacional.

Além disso, a apuração também considera a hipótese de obstrução de Justiça, caso fique demonstrado que houve tentativa de influenciar o Poder Judiciário por meio da descredibilização do Banco Central, interferindo no andamento das investigações sobre o Banco Master.

A investigação se baseia, entre outros pontos, no artigo 2º da Lei de Organizações Criminosas, que prevê pena de três a oito anos de reclusão, além de multa, para quem tenta impedir ou embaraçar investigações, mesmo que a ação não produza o efeito desejado.

Entrada do Banco Master. Foto: reprodução

Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro negou qualquer envolvimento com campanhas digitais ou contratação de influenciadores. Segundo os advogados, “ele não tem em qualquer com a contratação ou difusão de fake news, tampouco com campanhas digitais de difamação contra autoridade pública”.

A defesa afirma ainda que Vorcaro seria alvo de uma campanha difamatória e de “disseminação orquestrada e sistemática de informações falsas” que estariam prejudicando sua reputação há meses, antes mesmo da liquidação do banco.

O inquérito foi aberto após denúncias de que influenciadores teriam sido procurados para produzir conteúdos críticos ao Banco Central logo depois da intervenção no Master.

Produtores de conteúdo relataram que receberam propostas para gravar vídeos sustentando a tese de que a liquidação teria sido “precipitada”. As abordagens teriam ocorrido em dezembro e incluíam contratos de três meses, com a previsão de até oito postagens mensais.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.