
Durante entrevista à revista Variety, o ator Wagner Moura comentou o que enxerga como um dos principais enganos dos norte-americanos ao pensar no Brasil. Indicado ao Oscar por O Agente Secreto, ele afirmou que a imagem de país festivo e acolhedor é verdadeira, mas convive com problemas estruturais profundos.
Segundo Moura, o Brasil reúne qualidades amplamente reconhecidas — clima, produção cultural, música e gastronomia —, porém carrega marcas históricas que seguem influenciando a vida social e política. Ele lembrou que o país foi o último das Américas a abolir a escravidão, destacou o tamanho da desigualdade social e a concentração de poder nas mãos de poucos grupos.
Para o ator, a realidade brasileira é cheia de contradições. Ele citou a famosa frase de Tom Jobim sobre o país “não ser para iniciantes” e afirmou que a ascensão de Jair Bolsonaro não aconteceu por acaso, mas está ligada a características presentes na própria sociedade brasileira. Na comparação que fez, associou esse fenômeno ao que ocorreu nos Estados Unidos com Donald Trump.

Moura também avaliou que o Brasil demonstrou maior firmeza na defesa das instituições democráticas ao lidar com a tentativa de ruptura institucional ocorrida em 8 de janeiro de 2023, em Brasília. Ele comparou o episódio à invasão do Capitólio, em Washington, em janeiro de 2021.
O ator disse que, enquanto filmava Guerra Civil, pensava com frequência nas diferenças entre as reações dos dois países. Na visão dele, a resposta brasileira foi mais rápida e passou um recado claro de que ataques à democracia têm consequências. Ele citou prisões de envolvidos e mencionou a situação judicial de Bolsonaro.
Sobre os Estados Unidos, Moura afirmou ter a impressão de que parte das instituições ainda hesita em impor limites claros. Para ele, a ausência de respostas duras pode abrir espaço para novos testes contra o sistema democrático.