
A relação do empresário bolsonarista Roberto Justus com estruturas financeiras sofisticadas antecede em muitos anos a revelação de que o Banco Master atuava como sócio oculto em um empreendimento ligado ao seu grupo. Antes de se tornar uma figura conhecida da televisão, Justus construiu carreira no mercado publicitário e empresarial, com trânsito frequente entre fundos, holdings e sociedades de investimento.
Ao longo das últimas décadas, Justus participou de operações envolvendo reorganização societária, compra e venda de empresas e parcerias com grupos financeiros nacionais e estrangeiros. Esse histórico ajuda a contextualizar por que a presença de um banco como o Master em estruturas não ostensivas não surge como um ponto fora da curva, mas como parte de um modelo recorrente de negócios.
No mercado financeiro, esse tipo de arranjo é comum em projetos que envolvem diluição de risco, blindagem patrimonial ou captação de recursos fora da exposição direta ao público. A atuação do Master como sócio não declarado segue uma lógica já conhecida nesse ambiente, ainda que levante questionamentos quando vem à tona em meio a investigações. A revelação do vínculo reacendeu o interesse sobre o papel de empresários midiáticos em operações financeiras complexas e reforçou a importância de olhar para a trajetória empresarial completa dos personagens envolvidos.
No caso de Justus, o passado nos negócios ajuda a compreender melhor os caminhos que levaram o Banco Master a atuar nos bastidores do empreendimento.
Nos últimos anos, Justus também passou a flertar abertamente com a política, chegando a manifestar interesse em disputar a Presidência da República. As declarações públicas, sempre demonizando a esquerda, porém, reforçam a imagem de um empresário esperto na lógica dos negócios, mas distante de temas ligados à desigualdade, políticas sociais e sensibilidade com a realidade da maioria da população, como se espera de um bom governante.
Esse contraste ajuda a explicar por que sua trajetória empresarial, marcada por racionalidade financeira e estruturas blindadas, dialoga pouco com demandas sociais mais amplas que atravessam o debate público brasileiro. Na vida privada ele é um perigo. Na pública seria um desastre completo.