VÍDEOS – Veja a íntegra dos depoimentos no caso Master

Atualizado em 30 de janeiro de 2026 às 12:03
Daniel Vorcaro durante depoimento. Foto: Reprodução

Publicado no Migalhas:

O ministro do STF Dias Toffoli retirou, nesta quinta-feira, 29, o sigilo e autorizou a divulgação dos vídeos dos depoimentos e da acareação realizados no inquérito sobre possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master. Em 30 de dezembro do ano passado, foram ouvidos o fundador e controlador do banco, Daniel Vorcaro; o ex-presidente do BRB – Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa; e o diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino.

Na audiência, também foi promovida acareação entre os envolvidos, procedimento que gerou debates e questionamentos entre investigadores e juristas à época.

No despacho assinado à noite, o relator ressaltou que a medida não alcança outros elementos da investigação, que permanecem protegidos até manifestação da PGR.

Segundo a decisão, a publicidade é pontual e limitada aos depoimentos e à acareação já realizados, sem ampliação automática para provas, documentos ou diligências em andamento.

Assista ao depoimento de Vorcaro na íntegra:

Assista ao depoimento de Paulo na íntegra:

Assista ao depoimento de Ailton na íntegra:

Depoimentos divergentes

Nas acareações, Daniel Vorcaro apresentou versão divergente daquela exposta por Paulo Henrique Costa sobre a origem da carteira de títulos da Tirreno Consultoria levada à negociação com o banco público.

Segundo a narrativa atribuída a Vorcaro, a proposta discutida entre as instituições teria sido uma operação ampla de venda de créditos de originadores terceiros, sem indicação específica da Tirreno, e ele sustentou que não tinha conhecimento de que papéis ligados à empresa acabariam sendo repassados. Do outro lado, Paulo Henrique Costa afirmou que, na tratativa apresentada a ele, os títulos não eram descritos como de terceiros, mas vinculados ao próprio Banco Master.

Ainda de acordo com os relatos prestados na audiência, Vorcaro também declarou que conversas anteriores entre os dois teriam abordado que se tratavam de carteiras originadas por terceiros, enquanto Paulo Henrique Costa rebateu que seu entendimento era de que se tratava de carteiras originadas pelo Master e negociadas com terceiros, com recompra e revenda ao BRB.

Assista à acareação entre as partes:

Tirreno Consultoria

No inquérito, a Tirreno Consultoria é apontada como uma das empresas investigadas pela Polícia Federal por suposta emissão de títulos de crédito falsos inseridos no mercado financeiro. A apuração indica que a companhia foi criada em novembro de 2024 e teria fechado um único contrato, com o Banco Master como cliente. Ainda segundo a investigação, o capital social teria passado de R$ 100 para R$ 30 milhões em cinco dias, e a gestão teria ficado a cargo de Oliveira Seixas Maia, descrito como ex-funcionário de Vorcaro.

BRB e Master

A PF também apura a hipótese de que, em 2025, o Banco Master teria enfrentado falta de recursos para honrar títulos emitidos no mercado e, para contornar a situação, teria adquirido créditos da Tirreno sem pagamento e depois vendido esses créditos ao BRB por R$ 12 bilhões, com desvalorização posterior dos papéis e impacto ao banco de Brasília/DF.

No eixo do BRB, a PF busca esclarecer se, ao adquirir créditos de origem suspeita e ao tentar comprar o próprio Banco Master, Paulo Henrique Costa e outros gestores teriam usado a estrutura do banco público para auxiliar, de forma clandestina, a instituição controlada por Vorcaro. Em nota, a defesa de Paulo Henrique Costa negou a acusação e afirmou que a transação não pode ser tratada como aquisição indiscriminada ou tentativa de salvamento, sustentando que a operação teria sido estruturada com participação de áreas técnicas, consultores e assessores externos independentes, seguindo práticas usuais do mercado e planejamento estratégico.

Questionado pelos investigadores, Vorcaro negou que tenha havido venda irregular e atribuiu ao Banco Central o endosso da transação. O Banco Central, em resposta, negou a recomendação e ressaltou que sua atuação é averiguar a liquidez de empresas do Sistema Financeiro Nacional, inclusive durante aquisições, e não indicar viabilidade ou grau de risco de investimentos das instituições.