Pastor e diretor local do ICE: quem é o alvo de protesto que prendeu ex-âncora da CNN

Atualizado em 30 de janeiro de 2026 às 13:12
O pastor e diretor de divisão do ICE David Easterwood. Foto: AP

O pastor David Easterwood tornou-se alvo de protestos em Minnesota após ser revelado que ele trabalha no ICE, Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos. A manifestação, realizada durante um culto na Cities Church, em St. Paul, terminou com prisões e ganhou repercussão nacional após a detenção do ex-apresentador da CNN Don Lemon.

Easterwood atua como um dos oito pastores da igreja, ligada à Convenção Batista Minnesota-Wisconsin, e, ao mesmo tempo, exerce funções de comando no ICE. Segundo a Associated Press, ele é o diretor interino do escritório de Operações de Execução e Remoção do ICE em St. Paul, responsável por ações em Minnesota e outros cinco estados do Meio-Oeste.

No dia do protesto, dezenas de manifestantes entraram na igreja durante o culto e gritaram palavras de ordem como “fora, ICE” e “justiça para Renee Good”, cidadã americana morta a tiros por um agente federal em Minneapolis, no início de janeiro.

Os organizadores afirmam que o ato teve como foco a dupla função exercida por Easterwood como pastor e autoridade migratória. O Departamento de Segurança Interna confirmou que não comenta tentativas de exposição de dados pessoais de agentes federais. Tricia McLaughlin, secretária-assistente da pasta, afirmou que o governo “nunca confirma nem nega tentativas de doxing [divulgação de informações privadas de uma pessoa]”, alegando riscos à segurança de agentes e familiares.

Documentos apresentados à Justiça mostram que Easterwood trabalha no ICE desde 2015. Ele começou como agente de deportação, tornou-se supervisor e depois diretor-adjunto, até assumir a chefia interina do escritório de St. Paul em 2025.

Ele ficou conhecido por um depoimento à Justiça em que defendeu o uso de agentes químicos contra manifestantes, alegando aumento de ameaças e bloqueios às operações.

A crise se agravou após a prisão de Don Lemon, que afirmou estar no local atuando como jornalista. “Isso se chama jornalismo”, disse ele, ao relatar que entrou na igreja para observar o protesto e conversar com manifestantes, fiéis e o pastor. Lemon transmitiu partes da manifestação ao vivo e nega participação em qualquer ação ilegal.

A procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, declarou ter ordenado pessoalmente a prisão de Lemon e de outros manifestantes, classificando o episódio como um “ataque coordenado” à igreja. O Departamento de Justiça tentou indiciar oito pessoas, mas um juiz rejeitou as acusações contra Lemon por considerar as provas insuficientes.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.