
O governo Lula avança nas negociações para contratar uma nova tecnologia de internet via satélite e reduzir a dependência da Starlink no Brasil. A articulação envolve a Telebras e a europeia SES, rival da empresa do bilionário de extrema-direita Elon Musk que opera a única constelação comercial de satélites em média órbita atualmente em funcionamento.
A expectativa no Ministério das Comunicações é fechar o contrato ainda no primeiro trimestre de 2026. O objetivo é acelerar a conexão de 138 mil escolas públicas até o fim do ano, meta que já teve cerca de 70% cumprida.
Parte das unidades restantes está em áreas sem acesso a fibra óptica, o que exige soluções via satélite mais robustas. Hoje, a Telebras utiliza satélites geoestacionários, que operam a cerca de 35 mil quilômetros da Terra e enfrentam limitações técnicas em escolas com grande número de alunos.
Segundo o secretário de Telecomunicações, Hermano Tercius, esses equipamentos não conseguem garantir velocidades mínimas adequadas em instituições com mais de 100 estudantes.

Os satélites de média órbita da SES surgem como alternativa. Posicionados a cerca de 10 mil quilômetros da superfície, oferecem maior capacidade, menor latência e menos instabilidade. Testes realizados durante a COP 30, em Belém, alcançaram velocidades de até 500 Mbps, o que fortaleceu as negociações entre a estatal brasileira e a empresa europeia.
Além da frente europeia, o governo também considera a entrada da chinesa SpaceSail, que deve iniciar operações no Brasil no fim de 2026. A empresa solicitou autorização à Anatel para operar 648 satélites em baixa órbita, com planos de expansão para até 15 mil unidades até 2030, competindo diretamente com a Starlink.
No horizonte mais amplo, a estratégia inclui diversificar fornecedores e reduzir riscos geopolíticos. Além do esforço para conectar escolas, o governo trabalha no Plano Nacional de Satélites e no desenvolvimento do chamado “GPS brasileiro”, buscando ampliar a autonomia tecnológica do país.
“A ideia é, quanto mais a gente diversificar, melhor, para não ficarmos dependentes de uma empresa nem de um país só”, afirmou Tercius.