
O avanço da exploração de petróleo do lado brasileiro da fronteira reacendeu um debate sensível na Guiana Francesa. Em Saint Georges de l’Oyapock, município francês vizinho a Oiapoque, moradores observam o contraste econômico crescer desde o início das operações da Petrobras na costa do Amapá.
O agricultor Steve Norino, ouvido pela AFP, resumiu a disparidade em poucas palavras: “Em Oiapoque há de tudo, em Saint Georges não há nada”. Separadas por cerca de 15 minutos de canoa, as duas cidades vivem realidades distintas, apesar da proximidade geográfica.
Do lado francês, Saint Georges concentra cerca de 4.000 habitantes e mantém atividade comercial limitada a um pequeno hotel e dois mercados. Já Oiapoque, com aproximadamente 30.000 moradores, transformou-se em polo regional, atraindo consumidores da Guiana Francesa, que atravessam a fronteira para compras e lazer.

Esse contraste chegou ao centro do debate político em Paris. O Parlamento francês deve analisar uma proposta do deputado guianense Georges Patient que pretende reverter a proibição da exploração de hidrocarbonetos nos territórios ultramarinos, vigente desde 2017 por meio da chamada lei Hulot.
Autoridades locais defendem a mudança. Jean Luc Le West, vice-presidente da Coletividade Territorial da Guiana, afirmou: “Não fizemos a mineração de ouro industrial, mas podemos fazer a atividade petrolífera”, sugerindo inclusive a construção de uma refinaria que seguiria normas europeias.
Organizações ambientais reagiram com críticas duras. Entidades como Greenpeace, Amigos da Terra França e Réseau Action Climat classificaram a proposta como um “contrassenso climático” e alertaram que apresentar a exploração de combustíveis fósseis como solução econômica é uma promessa “enganosa e irresponsável”, especialmente em territórios já socialmente vulneráveis.