“Cafetão do Planalto”: Caiado apaga ataque a Kassab após entrar no PSD

Atualizado em 30 de janeiro de 2026 às 14:36
Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab. Foto: Reprodução

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), apagou uma publicação feita em 2015 nas redes sociais em que atacava o presidente do partido ao qual acaba de se filiar, Gilberto Kassab. A exclusão do post ocorreu um dia após o anúncio oficial de sua entrada no PSD.

Na mensagem, publicada quando Caiado era senador pelo DEM, ele se referia a Kassab como “cafetão do Palácio do Planalto”. À época, Kassab ocupava o cargo de ministro das Cidades no governo de Dilma Rousseff (PT).

O ataque estava ligado à acusação de que Kassab estaria articulando a migração de parlamentares de outras siglas para o PL. “Kassab é o cafetão do Planalto. Agiu assim com o PSD e agora com o PL”, escreveu Caiado em janeiro de 2015 no X (então Twitter). A publicação voltou a circular após a filiação do governador ao partido comandado pelo ex-adversário.

Questionado sobre as críticas antigas, Caiado minimizou o episódio em entrevista a O Globo. Disse não pretender discutir “nota de rodapé na longa trajetória política ao lado do Kassab”, que, segundo ele, remonta à pré-campanha presidencial de 1989. O governador afirmou ainda que mantém posições próprias e que isso foi tratado diretamente com o dirigente do PSD.

Ataque de Caiado a Kassab de 2015. Foto: Reprodução

A ida de Caiado para o partido foi interpretada por aliados e adversários como parte de uma estratégia para pulverizar candidaturas de oposição ao presidente Lula. A avaliação é que o movimento busca evitar uma disputa direta entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), escolhido por Jair Bolsonaro como seu representante eleitoral.

Segundo Caiado, Kassab autorizou que ele faça oposição a Lula durante a campanha. Com a filiação, o dirigente do PSD passa a reunir três nomes com pretensões presidenciais, ampliando sua influência no cenário político nacional.

Além de Caiado, o partido abriga outros governadores com projeção nacional e mantém interlocução com Tarcísio de Freitas (Republicanos). O desafio do grupo será atrair setores estratégicos, como mercado financeiro, indústria e agronegócio, especialmente eleitores que apoiaram Bolsonaro em 2022 e hoje veem Tarcísio como alternativa competitiva contra Lula.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.