Guardiola usa keffiyeh em ato pró-Palestina: “Nós os deixamos abandonados”

Atualizado em 30 de janeiro de 2026 às 15:16
Pep Guardiola. Foto: Reprodução

Pep Guardiola aproveitou a folga no calendário do Manchester City para viajar até Barcelona e participar de um evento de solidariedade com a Palestina. O treinador catalão discursou na noite de quinta-feira, no Palau Sant Jordi, durante o concerto beneficente “Act x Palestine”.

Com um keffiyeh — lenço branco e preto associado à identidade e à resistência palestina — Guardiola demonstrou apoio às crianças afetadas pela guerra e criticou a inércia das lideranças internacionais diante do sofrimento na região.

“Boa noite, salam alaikum, que maravilha”, disse ao subir ao palco. Em seguida, falou sobre o impacto das imagens de crianças em zonas de conflito. “Penso no que a gente sente quando vê uma criança, nesses últimos dois anos, nessas imagens nas redes sociais, na televisão, suplicando ‘Onde está a minha mãe?’ entre os escombros e ainda sem saber”.

O técnico afirmou que sente que essas vítimas foram deixadas para trás. “E penso sempre: ‘O que deve estar passando pela cabeça delas?’ E acho que nós as deixamos sozinhas, abandonadas. Sempre imagino elas dizendo: ‘Onde vocês estão? Venham nos ajudar’. E nem agora estamos fazendo isso”.

Guardiola também fez críticas diretas a quem governa. “Talvez porque aqueles que estão no poder sejam covardes, porque basicamente mandam jovens inocentes para matar gente inocente. É isso que os covardes fazem. Porque ficam nas suas casas, com aquecedores quando está frio e ar-condicionado quando está calor”.

Ele pediu envolvimento ativo da sociedade civil. “Temos que dar um passo à frente. Só o fato de estar presente já significa muito — muito mesmo. O que as bombas causam — e o que querem causar — é o silêncio, para que a gente olhe para o outro lado. Esse é o único objetivo: que a gente não dê um passo à frente. É a isso que temos que resistir. Simplesmente não podemos olhar para o outro lado. Precisamos nos envolver e participar”.

No fim, ampliou a mensagem para além do conflito atual. “Nos apresentamos ao mundo para mostrar que, naturalmente, estamos do lado dos mais fracos — neste caso, a Palestina. Mas também todas as causas. Esta é uma declaração à Palestina e é uma declaração à Humanidade”.

O concerto reuniu cerca de 12 mil pessoas e contou com artistas como Rosalía. A renda do evento será destinada a projetos culturais palestinos.

Guardiola já havia se posicionado publicamente sobre o tema. Em novembro, incentivou a participação em um jogo solidário entre Palestina e Catalunha, que definiu como “um grito de solidariedade e uma homenagem a mais de 400 atletas que foram martirizados em Gaza”.