
Um relatório encaminhado pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) ao Supremo Tribunal Federal (STF) detalha a rotina do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) durante o período em que esteve custodiado entre os dias 15 e 27 de janeiro de 2026, no 19º Batalhão da PM, unidade conhecida como Papudinha, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. O documento foi elaborado em cumprimento a despacho do ministro Alexandre de Moraes e reúne registros administrativos e operacionais da custódia.
Segundo o relatório, Bolsonaro recebeu atendimentos médicos frequentes ao longo do período, realizados principalmente por profissionais da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), além de médicos particulares. As avaliações tiveram caráter clínico e preventivo, com monitoramento regular de sinais vitais e do estado geral de saúde. Em alguns dias, também foram registradas sessões de fisioterapia, conforme os apontamentos da PMDF.
O documento informa ainda que o ex-presidente realizou atividades físicas leves, sobretudo caminhadas, sempre em horários previamente controlados pela custódia. Não há registro, no período analisado, de exercício de atividade laboral nem de remição de pena por leitura.
As visitas ocorreram de forma pontual e controlada. Bolsonaro recebeu a esposa, Michelle Bolsonaro, em mais de uma ocasião, além do filho Carlos Bolsonaro. O relatório discrimina datas, horários e duração das visitas, bem como os registros de atendimentos regulares de advogados, com identificação dos profissionais e o tempo de permanência junto ao custodiado.
Em um dos dias de custódia, a PMDF comunicou a realização de perícia da Polícia Federal nas dependências do 19º Batalhão, onde Bolsonaro estava detido. O relatório também menciona a presença eventual de capelania, sem detalhar o conteúdo dos atendimentos religiosos realizados no local.
A Polícia Militar ressalta que todas as informações prestadas seguem registros administrativos e operacionais da unidade responsável, em observância às determinações do Supremo Tribunal Federal.
O envio do documento atende a uma ordem do ministro Alexandre de Moraes, que determinou, na última segunda-feira (26), que a PMDF apresentasse, no prazo de cinco dias, um “relatório completo com as atividades do custodiado [Bolsonaro] desde sua transferência”.
O ex-presidente foi transferido no dia 15 da Superintendência da Polícia Federal em Brasília para a Papudinha. Na decisão, Moraes solicitou dados sobre visitas de advogados, parentes e amigos, além de registros de consultas, exames médicos, sessões de fisioterapia, atividades físicas, atividades laborais, leituras e demais ocorrências relacionadas à permanência do ex-presidente na unidade.
Segundo o STF, a cela ocupada por Bolsonaro é semelhante à utilizada anteriormente por Anderson Torres e Silvinei Vasques. O espaço tem capacidade para quatro pessoas, mas está sendo utilizado exclusivamente pelo ex-presidente.
A Papudinha conta com oito celas no formato de alojamentos coletivos, com banheiro, cozinha, lavanderia, quarto e sala, e passou por reforma em 2020, de acordo com a Polícia Militar.