
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos liberou, nesta sexta-feira (30), um volume massivo de documentos relacionados ao caso do falecido financista e criminoso sexual Jeffrey Epstein. A divulgação, que marca o encerramento do processo de revisão do departamento, traz à tona detalhes perturbadores e alegações diretas contra figuras de alto escalão, incluindo o atual presidente Donald Trump.
Segundo o vice-procurador-geral, Todd Blanche, esta nova leva de arquivos é composta por mais de 3 milhões de páginas, além de 2 mil vídeos e 180 mil imagens. Blanche destacou que o material contém “grandes quantidades de pornografia comercial”. Durante coletiva de imprensa, o vice-procurador-geral foi enfático ao negar qualquer tipo de interferência política na seleção do que foi tornado público, afirmando que a Casa Branca não participou da revisão.
“Não protegemos Trump na divulgação dos arquivos”, garantiu Blanche aos jornalistas.
Alegações de abuso contra menores
Entre os documentos mais impactantes está um relatório do National Threat Operations Center (NTOC) do FBI, datado de agosto de 2025, que cataloga denúncias recebidas pela linha direta de crimes violentos. O documento detalha múltiplos relatos de mulheres que afirmam terem sido vítimas de Trump em festas organizadas por Epstein ou em propriedades do próprio empresário.
Uma das denúncias mais graves, citada nominalmente nos arquivos, refere-se a um estupro de uma menor de 13 anos. O trecho do documento descreve o seguinte:
“Donald Trump, o presidente, dava festas em Mar-a-Lago chamadas ‘calendar girls’. Jeffrey Epstein trazia as crianças e Trump as leiloava. Ele media a vulva e a vagina das crianças inserindo um dedo e classificava as crianças pela ‘aperto’ (tightness). […] Fomos levadas para quartos, forçadas a fazer sexo oral em Donald J. Trump. Forçadas a permitir que eles nos penetrassem. Eu tinha 13 anos quando Donald J. Trump me estuprou. Ghislaine Maxwell também estava presente.”
Outro relato menciona um incidente ocorrido há aproximadamente 35 anos em Nova Jersey:
“Alexis relatou uma amiga não identificada que foi forçada a realizar sexo oral no Presidente Trump há aproximadamente 35 anos em NJ. A amiga disse a Alexis que tinha aproximadamente 13-14 anos quando isso ocorreu, e a amiga supostamente mordeu o Presidente Trump enquanto realizava o sexo oral. A amiga supostamente foi agredida no rosto após rir por ter mordido o Presidente Trump. A amiga disse que também foi abusada por Epstein.”

Rede de tráfico e festas em propriedades de Trump
Os arquivos também detalham denúncias de uma rede de tráfico sexual que teria operado no Trump Golf Course em Rancho Palos Verdes, Califórnia, entre 1995 e 1996. Segundo o relatório, uma denunciante afirmou ser “vítima e testemunha” de festas sexuais onde Ghislaine Maxwell atuava como “cafetina e corretora”.
O documento registra que a denunciante relatou ter participado de orgias e que “algumas garotas desapareceram, com rumores de terem sido assassinadas e enterradas na instalação”. Ela também alegou ter sido ameaçada pelo então chefe de segurança de Trump:
“A denunciante relatou ter sido ameaçada pelo então chefe de segurança de Trump de que, se ela algum dia falasse sobre o que acontecia lá ou quem ela via, ela ‘acabaria como fertilizante para os nove buracos de trás como as outras vadias’ (cunts).”
Fim da revisão e implicações políticas
A liberação destes documentos ocorre em um momento de intensa pressão política. Embora Todd Blanche tenha afirmado que a divulgação marca o fim do processo de revisão pelo Departamento de Justiça, o conteúdo dos arquivos deve alimentar novas investigações e debates sobre a conduta de Donald Trump e sua relação histórica com Jeffrey Epstein.
Os documentos mencionam ainda outros nomes proeminentes, como Bill Clinton, Hillary Clinton, Elon Musk, além de membros da família Trump (Donald Jr., Ivanka e Eric), citados em diferentes contextos de presença em eventos ou conhecimento de atividades ligadas a Epstein.