
O empresário Nelson Tanure levou representantes do Banco Master a reuniões com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) durante o processo de privatização de empresas paulistas conduzido pelo governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Os encontros, realizados ao longo de 2024, tinham como objetivo buscar apoio financeiro para a aquisição de estatais colocadas à venda pelo governo de São Paulo.
Segundo pessoas envolvidas nas negociações, Tanure e executivos do Master pediram que o banco federal financiasse a compra da Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia), primeira privatização da atual gestão estadual. Além disso, apresentaram a proposta de participação do BNDES em um consórcio voltado à aquisição da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo).
De acordo com informações da Folha de S.Paulo, as reuniões contaram com a presença de dirigentes do BNDES, entre eles o diretor financeiro Alexandre Abreu. Apesar das tratativas, o banco não aceitou as propostas apresentadas. Ainda assim, o fundo Phoenix, que tem Tanure como beneficiário final e é administrado pela Trustee DTVM, ligada ao Banco Master, venceu o leilão da Emae por R$ 1 bilhão.
A privatização da Sabesp, por sua vez, acabou sendo concluída com a Equatorial, única empresa a apresentar proposta pela companhia de saneamento. Posteriormente, a Equatorial também adquiriu a Emae, em meio a um impasse envolvendo Tanure.

Nas reuniões com o BNDES, além de Tanure, estiveram presentes Reinaldo Hossepian, diretor do Master que teve bens bloqueados após a liquidação da instituição determinada pelo Banco Central, e Karla Maciel. À época, ela atuava como assessora da área de fusões e aquisições do Master, depois assumiu o cargo de CEO da Emae e passou a integrar o conselho da Light, empresa de energia da qual Tanure é acionista.
No fim de 2025, a Emae informou que adquiriu CDBs (Certificados de Depósito Bancário) emitidos pelo Letsbank, do conglomerado do Banco Master, no valor aproximado de R$ 140 milhões. Os papéis não tinham garantia específica, e a empresa declarou que adotava medidas para reaver os recursos investidos.
Tanure chegou a ser apontado pela Polícia Federal como possível sócio oculto do Banco Master, ligação que ele nega. Segundo o empresário, a relação com o banco de Daniel Vorcaro foi exclusivamente comercial, limitada à estruturação de financiamentos.
Em 6 de janeiro, o ministro do STF Dias Toffoli determinou o bloqueio dos bens de Tanure no mesmo valor solicitado em relação a Vorcaro, atendendo a pedido da Procuradoria-Geral da República.
O empresário também foi alvo de busca e apreensão em 14 de janeiro, durante a segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura fraudes envolvendo fundos de investimento ligados ao Master e resultou no bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens.
No mesmo dia, Tanure divulgou nota afirmando não ser nem ter sido controlador do banco, “tampouco seu sócio, ainda que minoritário, direta ou indiretamente”. “Mantivemos com o referido banco relações estritamente comerciais, sempre na condição de cliente ou aplicador”, disse.