
Como suposta alternativa à polarização entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), o partido Democracia Cristã lança neste sábado (31) o ex-ministro Aldo Rebelo como candidato à Presidência da República. A posição do candidato na disputa nacional é considerada difícil de classificar, diante de um discurso que transita entre críticas ao PT e aproximação com setores do bolsonarismo.
O candidato também rejeita a tese de tentativa de golpe de Estado atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre pena. “A minuta estava baseada na Constituição. Eu era ministro da Defesa. Se a presidente Dilma Rousseff tivesse me pedido uma minuta daquela, eu teria feito”, afirmou, em referência ao documento apresentado por Bolsonaro aos chefes das Forças Armadas.
Ex-integrante do PC do B, Aldo atuou em governos petistas e se define como nacionalista. Questionado sobre apoiar a reeleição de Lula, respondeu à Folha de S.Paulo de forma direta: “Deus me livre”. Apesar disso, evita escolher desde já entre Lula e Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, embora faça declarações em defesa do golpista preso.
Sem deputados eleitos e com estrutura limitada, a Democracia Cristã convidou para a vaga de vice Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação de Bolsonaro. Aldo apresentou sua proposta como a “plataforma dos quatro Rs”.
“Denomino como a plataforma dos quatro Rs. O primeiro é retomada do desenvolvimento. A política econômica de Lula se reduz a aumentar despesa por causa da eleição que se aproxima e aumentar imposto para cobrir essa despesa”. Em seguida, citou “redução das desigualdades”, “revalorização da democracia” e “reconstrução” das agendas de segurança pública e nacional.

Sobre meio ambiente, afirmou: “O Brasil não é um país pobre, é um país travado”. Na proposta, Aldo também criticou o licenciamento ambiental e disse que “aqui o licenciamento ambiental virou uma ideologia de veto”. Ao tratar da Amazônia, declarou: “A Amazônia precisa de infraestrutura, de rodovias, de ferrovias, de hidrovias”.
A aproximação com o bolsonarismo é explicada por ele como convergência de pautas. “Eu diria que foi esse setor [bolsonarismo] que se aproximou da minha agenda”. Também criticou o governo Lula ao mencionar o Ibama: “Como é que o presidente da República aceita que o chefe de uma autarquia que ele nomeia imponha um veto à exploração do petróleo na margem equatorial”.
Aldo ainda atacou a esquerda identitária. “A agenda identitária, dos costumes, do comportamento, é a agenda das grandes corporações”. Sobre a prisão de Bolsonaro, afirmou: “Você não sabe o que é propriamente justiça e o que é vingança”.
Em política internacional, criticou uma eventual ação dos Estados Unidos contra a Venezuela. “Apoiar a invasão da Venezuela é uma atitude que demonstra a desorientação do país. A atitude dos Estados Unidos é uma afronta”.