Epstein elogiou Bolsonaro para Steve Bannon em email: “the real deal”

Atualizado em 1 de fevereiro de 2026 às 12:14
Arquivos revelam mensagens em que criminoso sexual condenado cita ex-presidente com entusiasmo e recomenda tratá-lo com cuidado em possível contato

Uma troca de e-mails atribuída a Jeffrey Epstein e ao estrategista político Steve Bannon traz elogios diretos ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). As mensagens fazem parte de novos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos na sexta-feira (30), no âmbito das investigações sobre o caso Epstein.

Em um dos e-mails, datado de 8 de outubro de 2018, Epstein escreveu a Bannon: “Bolsonaro mudou o jogo. Nenhum refugiado quer entrar. Bruxelas não lhe diz o que fazer. Ele só precisa reativar a economia. MASSIVO”. À época, Bolsonaro havia acabado de avançar ao segundo turno das eleições presidenciais contra Fernando Haddad (PT), que venceria semanas depois.

Bannon respondeu dizendo que mantinha proximidade com o grupo de Bolsonaro. “Eles me querem como conselheiro. Devo fazer isso?”, questionou. Epstein respondeu: “É meio o argumento ‘reino no inferno’ de novo”. Naquele período, Bannon declarou apoio público a Bolsonaro, embora tenha negado participação formal na campanha.

Steve Bannon e Jeffrey Epstein se reúnem nos EUA, em foto de arquivo do pedófilo. (Imagem: Reprodução)

Em outra mensagem revelada nos arquivos, Epstein afirmou que Bolsonaro era “de verdade” — expressão traduzida do inglês “the real deal”. Em resposta, Bannon escreveu: “Diga a ele que o meu candidato vai ganhar no primeiro turno”, em referência à disputa presidencial brasileira. As conversas também tratam da possibilidade de uma visita de Bannon ao Brasil para reforçar a imagem internacional do então candidato.

Os e-mails indicam ainda preocupação de Epstein com a reação pública de Bolsonaro a qualquer associação com Bannon. “Não gostei que ele chamou de fake news”, escreveu Epstein, após declarações de Bolsonaro negando vínculos com o estrategista. Naquele contexto, Eduardo Bolsonaro havia afirmado que Bannon estaria à disposição da família.

Steve Bannon e Jair Bolsonaro. Foto: reprodução